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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Janela Poética - SIRENA

SIRENA - Glauco César
 
Quisera acorrentar-te nas algemas do amor,
sentir o toque tão gentil de tua amorável mão,
que produz a alegria e o frescor no coração.
Contudo, lágrimas orvalham-me a face em pavor!

Não choro por mim mesmo, por ti lamurio. Vem ver!?. . .
Enxergar o futuro, pois, prendo-me em cativeiro,
no ardor da paixão, que enleva febril qual um morteiro,
como um sobrevivente ou náufrago prestes a morrer!

Taciturno. . .  Sirena, tu és um perene rio
que ao correr, desprende a pedra que me apedreja!
Eu quis conter-te com tuas filhas, pra tirar o frio!

Nunca permitas que tua casa dormite deserta,
prostra-te ao meu amor, como um fiel a uma igreja,
serás afeto, no caudal do sonho que acerta!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Janela Poética - SÓ...

SÓ. . . - Glauco César 
Oh! Solidão que arruínas a solidez da vida,
pois, sugas o néctar de toda uma existência,
destruindo lentamente a última resistência,
intrudindo, até explodindo toda uma lida.

Cambaleante como um bêbado demente ao léu.
Sem firmeza, direção, jogado ao sabor do vento,
ao saber que a esperança falha neste momento,
necessitando de um abrigo, ao menos um chapéu.

Cobrir-se, proteger-se da friagem da vida humana.
Partir, parar e defrontar a última saída.
Descansar na cadeira, esperando que a esperança

não abandone o isolado, como velha figura.
Parar para reencontrar; conquistar sua querida. . .
Achar o que perdeu, esta é; sua legítima procura.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Janela Poética - ABSURDO, ABSORTO

ABSURDO, ABSORTO - Glauco César
 
Aquele que ainda trabalha, e vê a vida
exausta debruçando à beira do batente,
compreende que o tempo voa, e de repente,
célere muda, nos levando de vencida.

É através da grande enxurrada desta vida,
quando fechando a cortina da existência,
que vê, a labuta airada foi má vivência,
vê-se sem ânimo, uma volta descabida.

No trabalho, sua produção ficou latente,
encoberta e, sem pudor do sedentário,
visível, mas, sepultado no ego da gente.

O ato que cavou a vida, teve triste sorte.
Seu brio cobriu a luta, feito um ordinário.
Sua criação e produção, causaram morte.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Janela Poética - ANSIEDADE

ANSIEDADE - Glauco César
 
Busca no âmago, entender tua loucura,
pois o louco já vive numa bem melhor,
num encontro da vida ferida com a pior
felicidade! Vive, enquanto houver procura.

Viver, na verdade não é ser um desvairado.
Pra plebe, talvez, não passe de um anormal.
Com certeza que não é um débil mental
aquele que foge, por sentir maltratado!

Até o louco. . . Conserva o seu encanto,
enquanto durar seus momentos de pavor.
Sua vida?! Num lapso, é como um canto.

E o sorriso?! Doado com grande maestria,
outorgado como dádiva a um seu credor;
é na realidade, tudo que queria!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Janela Poética - A BUSCA

A BUSCA - Glauco César

Procura prender no teu peito o amor, como um detento,
tendo no exílio a liberdade coberta com um manto
que aconchega a alegria, transformando-a num só pranto,
irrigando toda a su'alma do mais nobre sentimento.

Não te acanhes d’orvalho íntimo, que rega a tua face,
e faze brotar do intrínseco o que é teu, a tua aurora,
agradece por gerar recompensa qu’é tua agora,
pois, se te apresares a quem amas!? E se te amasse? !

Premiaria sua própria vida, seria um mor presente.
Como um moribundo terias no derradeiro instante,
encarcerado o amor preso ao peito no tempo infinito.                          

Por certo, fugiria da mente, o desejo incontido
de ter achado o olhar sereno, deste que é um errante,
e ter encontrado, aquele que nunca esteve ausente.

domingo, 8 de julho de 2012

Janela Poética - FUGA

FUGA  - Glauco César - Acróstico (Melissa eu te amo) dedicado à minha filha quando de seus 18 anos.

Muito amargurado, descubro que meu encanto,
Enquanto nesta minha vida, nada mais restou. . .
Lar, amigos, esposa, filhos, até o amor
Inflamado, fere a esperança e cria o pranto.

Sinistro, mui sisudo e demasiado triste.
Solitário, tendo a desgraça por companheira.
Angustiado, já convivo a vida inteira
Enlouquecido. . .  Outro igual a mim não existe.

Ultimato que o destino, infelizmente traçou,
Ter desfecho diferente daquele que ansiou.
Enfim. . . Ser nada, um louco! Por ter um final fatal?

Aniquilado. . . Sem escape ou qualquer solução.
Mergulho no profundo lamaçal da frouxidão
Onde sinto, só a morte me é fenomenal!

Moral da História: Enquanto restar o amor, existirá o pranto.

sábado, 7 de julho de 2012

Janela Poética - ENIGMA


ENIGMA - Glauco César - Acróstico (Felicidade amor) 

Famigerado, sou eu, pois tenho em você um fanal.
Elementar cuidado, que chega a ser uma paixão.
Lisonja afável, livre lira, melodiosa canção,
Igualmente canto, solfejo sim, pois, és literal.

Criatura iluminada exala aroma de prazer,
Incognoscível é a fonte, me faz sempre gravitar,
Dique que represa, válvula e enigma de governar.
Abriga o grande amor, que não se pode conhecer.

Dadivosa, misteriosa, arruína sem critério.
Essencial da vida, não foge, vem solidificar,
Aniquila a angústia, e dissolve o mistério. . .

Magnânima, o amor não é dioso, pois é sem idade.
Otimiza a vida, me faz d’alegria grazinar.
Relíquia, pontaria certeira de felicidade.