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domingo, 27 de maio de 2012

Janela do Tempo - A Taberna


A TABERNA - Educador Glauco César                                          

          - Liberdaaaade! Liberdaaade! - Grita efusiva e deslumbradamente Tonico, o filho de Marocas, ao ver seu pai empinar uma caixa voadora. – Eu também quero voar, deixe-me papai, voar!
         - Tonico era um desses pirralhos com seu jeito descontraído, desinibido e alegre que cativava a todos, por isso mesmo uma tuia de moleque estava numa gritalhada só, influenciada pelas peraltices do Tonico.
          Seu Bento, homem modesto, lábios grossos, cabelos ulótricos, olha para o menor e fica um pouco penseroso.
          Chama o pirralho para junto de si e, ensina-o a enviar mensagens para a caixa. Ele pegou um pedaço de papel escreveu uma besteira qualquer, em seguida deu um rasgão até a metade do papel, prendendo na linha. O vento fez o papel deslizar subindo pelo cordel até alcançar o objeto voador.
          Após essa demonstração, o pai do menino saracoteou a cabeça, analisa alguma coisa que só ele sabia o que era, e mais uma vez fica pensativo.
        Então, resolve enrolar a linha de algodão, que prende a caixa voadora a uma manivela de madeira, que o mesmo confeccionou no momento em que fez também a arraia, uma espécie de papagaio em forma de caixa, para presentear seu filho primogênito que, aliás, era o único que possuía.
          Por um momento se arrependeu de haver dado o presente, seu Bento, achou que a idéia não foi das melhores, pois não entendera o pedido do filho, que, simplesmente queria fazer o objeto ganhar altura e planar suavemente no espaço. 
          - Deixa, seu Bento! Deixa, seu Bento! Deixa o negrinho soltar a caixa voadora, ele só está querendo molequear! Brada desesperado um dos meninos.
         - Ta bem!
         - Exclama o bondoso pai!
        - Desde que ele tome os devidos cuidados. Isto inclui nunca soltar papagaios em local que tenha fios de alta tensão, pois, poderá provocar acidentes irreparáveis...
        - Depois de algum momento em silêncio, como se estivesse rebuscando alguma coisa nos apontamentos da mente, o nobre e amoroso pai, conclui seu pensamento: - Como o que aconteceu com um grande cientista norte-americano, Benjamim Franklin.
          Foi lá pelos idos de 1752, o mesmo, para provar que os raios das tempestades e a eletricidade são a mesma coisa, montou uma cafifa de metal, num dia chuvoso, amarrou uma chave na linha de algodão, que prendia à pipa.
        Convicto que os trovões eram um fenômeno de natureza elétrica, ele, para sua segurança, amarrou a pandorga numa árvore.
        Com as descargas elétricas dos relâmpagos, ele percebeu que a chave soltava faíscas.
        Assim, ele identificou as cargas positivas e negativas e, como resultado desse experimento, ele inventou o para-raio.
           - Salta Caminho, que estava palitando os dentes com um espinho de mandacaru, com aquele seu jeitão desengonçado, observando todo esse acontecimento, sem querer ser indiscreto, mas sendo bastante bisbilhoteiro, retruca: - Nada haver! Nadica de nada com ‘empinar papagaio’! (papagaio é o mesmo que pipa, arraia, cafifa, pandorga, raia, tapioca, etc.)
          - A molecada fez uma algazarra ensurdecedora, com gritos, urras e assovios, que se misturavam com o sibilo do vento que soprava ferozmente...
          Seu Bento, um pouco contrariado com a interferência de Salta Caminho, franze a testa, anda de um lado para o outro, dá um sonoro pigarro, ainda com as feições enrugadas, tempera sua voz, e conclui pausadamente...
          - É que após a experiência de Benjamim, outro cientista, por nome Georg Richmann, tentou reproduzir aquela prática, e foi morto por um raio, ao levantar uma vara com um arame amarrado na ponta...
          Eu não gostaria que algo semelhante acontecesse aqui!
         - Salta Caminho, de repente ficou cabisbaixo, de uma maneira que eu nunca dantes tinha visto!
         Houve um lânguido silêncio no relvado! Como o dia estava nublado e com prenúncio de chuva, pouco a pouco seu Bento foi recolhendo a linha na manivela, e a caixa voadora foi mansamente pousando triunfalmente na relva macia, que agora ganhava os primeiros pingos da neblina, um chuvisco gostoso que molha tanto quanto qualquer chuva.
      Eu, por minha vez, saí conversando com Salta Caminho que ainda estava meio encabulado e um pouco desconsertado!
          Quando chegamos à casa de Salta Caminho, já estávamos quase encharcados!
Percebemos que havia uma pequena barafunda com crianças gritando e correndo de um lado para o outro!
        O vozerio se confundia na nossa mente e não conseguíamos entender com clareza o que estava acontecendo!
         No momento em que entramos vimos Dona Alfava, mãe de Salta Caminho, juntamente com seu marido Guabeirinha, tentando colocar ordem naquela baderna toda, produzida por apenas três pirralhos!
         A zoada era tanta que Salta Caminho perdeu as estribeiras e, já quase desnorteado, ralhou impiedosamente com a gurizada! – Eita-pau!  Podem acabar com essa balbúrdia?
        - Era um corre-corre, pega-pega, empurra empurra tão danado, que os peraltinhas em suas travessuras, ou melhor, traquinagens, sequer se apercebiam do incômodo que faziam!     
         Eu já não entendia mais nada, para não ficar ainda mais acafobado procurei saber o que tinha gerado tamanha confusão, a ponto das crianças estarem correndo sem controle, uma ao encalço da outra!
          Dona Alfava começou a relatar como tudo aconteceu, desde o princípio!
         - Pois bem, logo no aurorescer do dia, Salta Caminho saiu com seu Bento e Tonico para empinar uma raia em forma de caixa.
          Antanho, resolvi fazer uma tratantada na casa, prela ficar bem arrumadinha!
        Sem detença peguei minha bassoira de piaçaba e o espanador, comecei logo a barrer o solo e o assoalho, ao tempo que ia espanejando a mobília!
        Neste comenos, aparece dona Graziela e pede para deixar seus três pirralhos aqui, enquanto iria fazer a feira. No que concordei!
        De início os moleques ficaram um pouco melindrosos, como se estivessem com afetação de doença!
       Mais não demorou nada não, eles, embaraçados, foram aprochegando-se, abeirando-se, chegaram num canto da sala e, logo se acomodaram e se alojaram!
           Momento em que Guilda, a mais velha das crianças, teve uma idéia e disse: - Aqui é minha taberna, vendo de tudo, farinha, feijão, pirulito, tapioca, beiju, bolo de goma e, muito mais!
         - Bituca a menorzinha, ficou como ajudante de sua irmã na bodega! Coube ao irmão Dindinho fazer o papel do freguês!
        Pelo visto, ele, na verdade, queria ser, preferentemente, o dono da venda, e não o comprador!
          De mais a mais, aceitou seu encargo e, acho que se saiu bem, até demais!
         Ele, então, andando com trejeito, de uma forma amalandrada, portando em sua mão dinheiro imaginário, chega à bancada ilusória da suposta taberna, maneia a cabeça de cima para baixo como se estivesse procurando alguma coisa que comprar...
         E, de dedo em riste, aponta para um canto no vazio, escolhe um local, capricho da imaginação, pede um pirulito, que no seu ilusionismo divisava!
         Então brada, com pose de comprador exigente! – Eu quero aquele pirulito, aquele que ta bem encarnadinho!
          - Nesse momento ele desfilava com certo ar de deboche! Fato, que imediatamente, gerou uma ciumeira em sua irmã Guilda, que sem detença, respondeu com desprezo e de forma arrogante! – Pois, saiba que pra você, ele custa um real e vinte e sete centavos!
         - Ela disse isso imaginando que o indesejado comprador, desistisse de adquirir o bom-bocado.
           No entanto, ele não se intimidou com a resposta descabida da dona do boteco, que, na verdade, era sua irmã!
       Enquanto isso, no outro lado do suposto balcão, Bituca, como que bestificada, arregalava cada vez mais seus olhos, que aboticados cintilavam, refletindo o azul de seu olhar!
       No entanto, ela não via a mercadoria, nem muito menos o imaginário dinheiro! Contudo, Bituca, se saiu muito bem, agindo como se tudo estivesse ali em suas mãos! 
         De presto, o cliente, manifestando intencional ironia, por meio de risos e gestos, procura levar ao ridículo a vendedora/proprietária, e, com desdém retruca: - Que seja! Aqui está o dinheiro, pois saiba que mufunfa só serve pra gastar e passar troco! E, vá logo passando o meu, pois, pra mim, tutu não é problema, é solução!
           - À vista disso, Guilda entendendo que estava servindo de chacota, imediatamente manda que Bituca entregue ao cliente a cobiçada guloseima.
          Enquanto isso, ela mesma, procura dá o troco, bem contadinho, entrega na mão do cliente e diz: - Ta aqui sua merreca, seu miserável, pois, saiba que, por causa de sua mangação, você não compra mais nessa genringonça!
           - Dindinho, agindo como um patife, procura menosprezar, ainda mais, Guilda. Pega o hipotético troco e, guarda no bolso.
           Querendo levar sua irmã ao ridículo e ao mesmo tempo expor ao desdém, faz mais uma caçoada. Tira cuidadosamente o papel do fictício pirulito, deixa-o cair no chão, que eu mesma (Alfava), acabara de limpar.
           E, de forma magistral, começa a lamber o ilusório bom-bom, fazendo zombaria: - Eita, como ta gostoso! Só tinha esse e não dou pra ninguém!
           - Esse seu ato, fez com que Guilda e Bituca, babassem de desejo e inveja.
           Entrementes, Guilda agiu de prestes, em seu devaneio, foi até sua taberna, fez de conta que abriu uma gaveta, onde guardava o dinheiro, pega o valor do pirulito e, procura devolver para Dindinho, para que, em troca, ela ficasse com a saborosa guloseima, e assim, pudesse deixá-lo com água na boca!
       Contudo, seu irmão, muito tratante e covarde, não aceita a proposta e, com chacoteação, fere muito mais, os sentimentos de Guilda e Bituca! Começando assim toda essa bandalheira!
            Já fizemos de tudo, e não conseguimos apaziguar essa irreverente gurizada!
           - Sem mais nem menos, surge Salta Caminho em meio do nada e, como se tivesse contaminado por aquela visagem, vai ao encalço de Guilda e rouba-lhe a fictícia grana, em seguida, sem pestanejar, de súbito suas mãos, de forma firme, se apoderam do cobiçado pirulito!
            Repentinamente faz-se um mórbido silêncio!
           É que, não tendo mais o objeto de disputa, a gurizada se acalma, sentam no batente da porta e, aguardam pacientemente pela sua mãe!       

      













sábado, 19 de maio de 2012

IDE - Um Sustentáculo da missão


UM SUSTENTÁCULO DA MISSÃO - Educador Glauco César

O que observamos, hoje em dia, com uma persistência assoberbada, chegando, até mesmo, ao patamar da arrogância, é o fato de dar-se mais valor à denominação em detrimento à pessoa de Cristo!
Percebemos, também, constantemente, certo exagero, ao se colocar em demasia, valor além da conta, ao expositor do enunciado, ao invés de enaltecer à própria mensagem!
É comum se ouvir dizer que determinado orador, ou mesmo ‘profeta’ de certa igreja foi, ou é, uma ‘coluna da missão’.
Quantas vezes, não ouvi renomados pregadores, ao se referir a Pedro, como uma ‘pedra de sustentação’.
Essas posturas, até um tanto filosóficas, fez-me refletir sobre o assunto que versa sobre ‘uma coluna da missão’!
Então, surge em minha mente uma inquietação! Será mesmo, que as denominações e seus organizadores têm sido uma coluna da missão, a ponto de aceitarmos de presto, tudo que eles informam? Ou será que necessitamos ter um pouco mais de cautela?
Comecei então analisando o óbvio, procurando averiguar o que vem a ser uma coluna!
A rigor, uma coluna seria uma ‘pedra de sustentação’. Se levarmos para o lado espiritual, a nossa pedra (petra – uma pedra grande e inamovível) é Jesus Cristo!
Baseado nessa premissa, facilmente nós chegaríamos à simples conclusão de que a igreja (instituição) e seus ministros, no máximo, seria uma pedra (petrus – que presta auxílio mútuo) auxiliar, nunca a pedra de esquina!
Por mais fidedigna que seja a instituição, ela nunca poderá sobrepor seu instituidor, no caso, a pessoa de Cristo! O mesmo acontece em relação aos seus ministros.
Contudo, o que presenciamos constantemente em relação a essas instituições e seus ministros? Notadamente eles se colocam como verdadeiros ornatos!
A rigor eles não passam de enfeites e atavios que não acrescentam nada para a nossa vida espiritual, no que se refere à eternidade, pois, só Jesus é quem detém a chave da vida eterna!
Uma vez compreendido esse pormenor, poderemos, então, partir para o passo seguinte, saber qual a missão proposta para a instituição, ministros e em especial, todo membro!
Quando Cristo, o Filho de Deus, esteve aqui na Terra, por cerca de trinta anos, na região da Palestina, Ele comissionou, a todos, que dEle tomaram conhecimento, a incumbência de divulgá-Lo, para que dEle confirmasse a certeza da salvação que o habilita para a eternidade!
Esta tem sido a missão de cada ser humano, o ato de conduzir outras pessoas para o encontro com o Salvador!
Alguns estudiosos do assunto asseveram que antes do sacrifício de Cristo, a humanidade deveria ir até Israel para entrar em contato com as mensagens que os conduziria ao caminho de retorno a Deus! Portanto a ênfase era: Vinde para Israel!
Esses mesmos apreciadores afirmam que Cristo mudou o vinde para o ide! Sendo assim, o realce passou a ser: ide e pregai a todas as nações!
No entanto, alguma coisa estranha a mim deixa penseroso, se Deus não muda (Malaquias 3: 6), como Ele pode ter trocado o Vinde para o Ide?
Sendo assim, ou Deus mudou, ou esse conceito está equivocado!
Como eu creio plenamente na Revelação Divina, e tenho convicção de que Jesus é na realidade o Senhor, permanecendo o mesmo, ontem, hoje e eternamente (Hebreus 13: 8), só mim resta uma alternativa, acreditar que a concepção da mudança do vinde para o ide, está enganada!
   Todavia, para não discordar desse entendimento nem muito menos da Revelação Divina, podemos facilmente chegar a um denominador comum, para tanto, basta tão somente adicionar versos complementares, que dão total harmonia a essa premissa!
Usemos então, de exatidão e clareza racional!
Quando Jesus comissionou toda pessoa para pregar a todos os povos, esses anunciantes deveriam propagar o evangelho, ou seja, as boas novas de grande alegria!
Na verdade, o evangelho ou boas novas de grande alegria, é uma referência à pessoa de Jesus Cristo! Ele é o evangelho, as boas novas, o dom gratuito de Deus, o Salvador, o Rei de Israel!
Como Deus não muda, percebemos com precisão que o ide é exatamente o vinde para Israel! Cristo mesmo se encarregou de esclarecer essa premissa, fazendo um silogismo, dando base à conclusão desse raciocínio! “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei!” Mateus 11: 28
Observe que o Ide, nesse princípio, conforme Jesus, é na verdade uma extensão do Vinde, sendo um argumento apodíctico ou irrefutável, aquele cujas proposições são verdadeiras, sendo, portanto, um silogismo demonstrativo!
Como vimos, o ide é o ato de dirigir-se ao encontro de Jesus Cristo, Ele mesmo diz vinde a Mim! Isto só nos alegra, pois, podemos confirmar que Deus não muda, Ele é o mesmo, ontem, hoje e eternamente!
No início dessas ponderações me referi a Pedro, como suposta coluna, pessoa para a qual deveria nos dirigir para reger nossa caminhada em busca da eternidade!
No entanto se buscarmos a Pedro, de certa forma estaremos abandonando Cristo, este, por sua vez, nos dirá: “Quereis vós também retirar-vos?” Simão Pedro, com certeza responderia: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.” João 6: 67 – 69
Esta, verdadeiramente, é nossa missão, introduzir no intelecto de todo humano, o evangelho do reino, ou seja, Jesus Cristo, como o único capaz de por fim à malsinação do pecado e à própria maldade, estabelecendo em seu lugar a vida em abundância, a tão ansiada eternidade!
Este é o grande desejo de todo aquele que, um dia, se deparou, com Jesus! Desde então sua aspiração passou a ser única: “Este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.” Mateus 24: 14.
Perceba como algumas pessoas, após a ascensão de Cristo, compreenderam cabalmente que as obras realizadas por Pedro e João, denunciavam, não um poder intrínseco a eles próprios, mas provenientes de Cristo! “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se, e reconheceram que haviam eles estado com Jesus.” Atos 4: 13.
Não resta dúvida que estes dois discípulos, de certa forma, são referenciais para o nosso jornadear rumo à imortalidade! Contudo, só Jesus, por ter doado Sua vida, poderá perenizar a eternidade em nós!
Por isso, precisamos ser precavidos, para não enaltecer demais a instituição, nem muito menos qualquer que seja o mensageiro! Engrandeçamos tão somente, Jesus Cristo, o Filho de Deus!
Você poderá estar pensando nesse momento que esteja isento de tudo isto que escrevi, pois, a instituição a qual você serve, não coloca Pedro, nem outro apóstolo qualquer, como o pontífice máximo entre Deus e a humanidade! Por isso mesmo, nada disso lhe atinge!
Não obstante, toda instituição, tem um fundador, que tem sido reverenciado, por alguns, de forma descabida! Não seria esse o nosso caso?
Certa feita, Pedro disse para Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” Mateus 16: 16, em resposta, Cristo então asseverou: “Pois também Eu te digo que tu és Pedro (Petrus) e sobre esta pedra (petra) edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Mateus 16: 17.
Baseados numa análise superficial, alguns chegam a acreditar que a igreja de Cristo foi edificada sobre Pedro. Pois Jesus houvera dito, sobre esta pedra, referindo-se a Pedro?!
Exatamente aí reside à base da crença daqueles que dão demasiado valor aos personagens humanos, por achar que eles são o fundamento da igreja de Cristo!
Analisando com mais critério, podemos perceber a falácia desse entendimento! A compreensão correta deste texto está justamente no emprego do pronome demonstrativo!
Antes mesmo de dar continuidade a esta pequena análise, relembremos o uso dos pronomes demonstrativos esta, essa e aquela!
Usamos o pronome demonstrativo ESTA (1ª pessoa) – Quando o objeto está perto da pessoa que fala. ESSA (2ª pessoa) – Quando o objeto está afastado da pessoa que fala e está perto da pessoa com quem se fala. AQUELA (3ª pessoa) – Quando o objeto está afastado de ambas as pessoas. De quem fala, e também de quem se fala.
Agora, estamos habilitados a interpretar com acerto absoluto, o verso em pauta! Veja como é fácil, Jesus é quem está falando, portanto, Ele é a 1ª pessoa, que está falando com Pedro, que é a 2ª pessoa!
Cristo asseverou: Pedro tu és (2ª pessoa) pedra, e sobre esta pedra (1ª pessoa), no caso era Jesus quem falava, por isso, Ele estava confirmando que Sua igreja estava edificada nele próprio, a pedra fundamental, rejeitada pelos edificadores!
Por mais que o nosso entendimento seja profundo, em relação a Deus, ainda assim, é nada, quando comparado à pessoa de Cristo.
Pois, só entendemos as coisas que são dos homens, por isso, nos tornamos pedra de escândalo! Foi, exatamente, o que aconteceu com Pedro! “Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.” Mateus 16: 23.
Por isso, precisamos nos dessedentar em Cristo, essa pedra, que é a água da vida! “E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” I Coríntios 10: 4.
Agora não existem dúvidas, Cristo e somente Ele é a pedra fundamental, na qual está estabelecida Sua igreja! “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor.” Efésios 2: 20 e 21.
Por isso, não precisamos, jamais, ser confundidos, pois, estamos estabelecidos em Cristo, esta preciosa pedra angular! “Eis que ponho em Sião a pedra principal de esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido.” I Pedro 2: 6.
Não há mais dúvidas, a igreja de Deus, nunca foi construída sobre um ser humano pecador! Seja um apóstolo, discípulo, profeta, missionário ou outro qualquer evangelista!
Portanto, a pergunta que nos cabe nesse momento é a seguinte: Sobre quem temos feito pedra fundamental de nossa igreja?
Certamente, temos colocado quase sempre, nossas expectativas no entendimento de profetas modernos! Nada contra eles, contudo, esse dom de entendimento, não é específico a uma única pessoa!
Tenha certeza que Deus quer te usar, para que você próprio tenha a palavra final em tuas decisões, pois, você ouvirá do próprio Cristo, através do Espírito Santo, qual seja a vontade do Grande Eu Sou! “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão... Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar.” Atos 2: 17, 18 e 39.
Você, caro leitor, poderá estar se perguntando, finalmente, a quem o Senhor tem chamado?
Pode ter certeza que Ele tem chamado a todos, no entanto, são poucos os que têm atendido a essa convocação!
Entretanto, Ele tem se revelado a tantos quantos o buscarem. Essa tem sido a bondade de Deus! Essa é a nossa certeza: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre.” Mateus 6: 7 e 8.
Após todo esse entendimento, tenho certeza, que ainda assim, muitos dos que compreenderam esta mensagem, continuarão à procura de pessoas, com suposta capacidade de cura, para afastar as mazelas, que o pecado tem colocado no humano!
Algo como acontecia com Pedro, que as pessoas colocavam seus enfermos para que a sombra do apóstolo os cobrisse e os curasse! (Mateus 5: 15 e 16)
O grande perigo, é que essas pessoas passam a adorar o humano ao invés de adorarem ao Deus Criador! “E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo e, prostrando-se a seus pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.” Atos 10: 25 e 26
A única sombra que nos dá total descanso e entendimento é a do Onipotente, sob esta, devemos estar sempre descansando!
Foi a sombra da Divindade que fez total diferença na vida de Maria, mãe de Jesus! “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra.” Luas 1: 35.
Em qual sombra você tem confiado e até mesmo adorado?
A sombra humana, ou a da Divindade? Esta escolha será decisiva para a vida de todos que tiveram o encontro pessoal com Jesus!
Que Deus nos abençoe!  

terça-feira, 15 de maio de 2012

Janela Poética - SOLIDÃO


SOLIDÃO - Glauco César

Minha vida sem você
é uma imensidão de trevas,
uma cadeira vazia,
um jardim sem flores,
um dia sem sol,
sem luz,
com muita chuva
e, muito frio.
Uma noite escura
sem estrelas,
sem lua,
sem luz,
sem candeeiro,
lanterna,
vela,
nem mesmo
um fósforo.
E até sem duas pedras
que ao atritarmos
provoca faísca de fogo.

Sabe? !
Mas a minha lembrança
me transporta até você.
E isto é como um vaga-lume,
que clareia a noite escura.
Contudo, só me alegro
com a sua presença
que faz com que atrite
meu coração por você.
E a mim devolve
o fósforo,
a vela,
a lanterna,
o candeeiro,
a luz,
a lua,
as estrelas.
E transforma a noite escura
em dia.
Dia alegre,
sem frio,
sem chuva,
com luz,
com sol
e flores no jardim.
Então a minha vida,
é como uma cadeira
ocupada por você.
E me transformo
numa imensidão
de claridade
e vivo radiante
com, por
e para você.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Janela Filosófica - O SANTO OFÍCIO E A FÉ CATÓLICA


O SANTO OFÍCIO E A FÉ CATÓLICA - Educador Glauco César

A Inquisição, ou, como é mais comumente conhecida, ‘A Santa Inquisição’ ou ‘Santo Ofício’, era, na verdade, um mecanismo utilizado pelos dominadores para punir supostos crimes contra a fé católica, a quem, os soberanos, eram devedores de agradecimento ao Sistema Papal, que obtivera tantas vitórias, por se rotular de Sagrada.
Não seria, a Santa Inquisição, um embuste, ou no mínimo, o encobrimento em nome de Deus, para justificar assassinatos bárbaros contra homens, mulheres, jovens e crianças indefesas, cujo único crime era ter um pensamento distante do pensar da Igreja Católica e defender tal compreensão com firmeza racional?
O que sabemos e lamentamos, é que a Inquisição foi tão devastadora na Europa Medieval, que lavou o continente com o sangue quente de inocentes criaturas, pelas gélidas mãos dos algozes, e os corpos fumegantes, eram tantos, que iluminavam a Idade Escura.
Triste é sabermos, que poucos sabem, que até no Brasil, a Inquisição foi uma assolação vandálica, e que ainda hoje ela permanece em ação, pelo mesmo motivo, cumprir a suposta vontade de Deus, dizimando homens, obra coroadora de Deus, sem ao menos haver um outro poder que se anteponha a esta máquina mortífera dos demônios, fantasiada de Deus.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

IDE - Conjecturas sobre o pecado




CONJECTURAS SOBRE O PECADO
Educador Glauco César

Com o intuito de derramar luz, fazendo escoar entendimento de maneira lógica, represando um pouco de racionalidade na compreensão das cenas iniciais da grande e milenar controvérsia entre o bem e o mal, a verdade e o erro e, finalmente entre Cristo e Satanás, é que ansiamos na abertura da mente na compreensão, não do que venha a ser pecado, mas, sobretudo, em que dia específico da semana ele alcançou o ser humano.
Certamente o relato bíblico não especifica exatamente esse dia, contudo, crendo que esse entendimento é de capital importância para a nossa espiritualidade, tendo a certeza que o Consolador, o espírito de verdade (João 15: 26), esclarecer-nos-á tudo que ouviu de Deus (João 15: 15), Ele não nos deixará em dúvida, também sobre esse pormenor!
Crendo nessa relação de amizade com o Infinito é que almejamos a identificação desse dia, portanto, tomemos conhecimento, do dia, que julgamos, o fato tenha ocorrido!
Havia um perfeito relacionamento de amizade, amor e afeto entre o Pai o Filho e o Espírito Santo e um mais perfeito gozo entre a Trindade e os seres celestiais.
Felicidade tamanha, que figurativamente, extrapolava o limite do coração de Deus. O Pai, finalmente chama Seu Filho, que em conjunto com o Espírito Santo, chegam à conclusão de que precisam criar novos seres para que esses pudessem usufruir de tamanha ventura, e assim, o universo pudesse, cada vez mais, refletir o caráter de Deus que é a essência do perfeito contentamento, baseado, principalmente, na liberdade de consciência, pois, os seres celestiais são dotados de plena intelectualidade.
No entanto, afora a Trindade, havia um anjo, querubim cobridor e ungido de Deus, que se destacava dos demais seres celestiais; por isso mesmo era respeitado e honrado, por ser entre as criaturas o mais elevado em poder e glória entre os demais habitantes do Céu.
Esse ser ficou conhecido como Lúcifer, o filho da alva, o anjo de luz, santo e incontaminado. A claridade que repousava sobre ele era proveniente da glória de Deus, pois ele permanecia na presença do grande Criador, por isso Lúcifer era repleto de sabedoria e demasiadamente belo.
Contudo, algo estranho começava a acontecer com este poderoso anjo celestial, por ser formoso, sábio e perfeito, pois, nele reunia todas as qualidades concebíveis pela divindade, atingindo o mais alto grau na escala de valores dos anjos, correspondendo precisamente ao conceito de padrão idealizado por Deus; chegou a pensar que a Trindade o convidaria a tomar parte ativa na Criação da raça humana; tencionava assim, passar do estágio de criatura e finalmente chegar a ser um Criador.
Diz a Bíblia no livro de Ezequiel 28: 15. “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniqüidade”. O verso 17 pp. complementa: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor”.
Esta postura legítima desse poderoso anjo deixa transparecer dois pontos em especial. Primeiramente ele possuía o livre-arbítrio e, em segunda instância, o fato de ter discordado do governo de Deus não é prova de que havia imperfeição em sua constituição moral.
Muito pelo contrário, pois, é justamente a capacidade de poder discordar do Criador, que revela cabalmente, a perfeição de seu caráter! Esse procedimento de Lúcifer, vinha acompanhada de firmeza e coerência de atitude, fato que denotava nessa postura, a anuência do Criador! Lúcifer então, de forma legítima fez suas próprias escolhas, isto comprova que a Divindade é o Deus do livre-arbítrio!
Todos os seres criados tinham os caracteres distintivos totalmente desenvolvidos, sem deixar margem de dúvida da perfeição de Deus em si próprios, mudando esta postura, somente após a entrada do pecado no universo!
Assim, a discordância em si não é agravo contra Deus, este só veio a existir quando Lúcifer tomou consciência daquilo que ele tencionava era totalmente contrário à verdade, se configurando como pecado.
Portanto, pecado é permanecer contrário àquilo que conscientemente sabemos ser uma afronta à vontade da Divindade! 
Meu querido leitor, quantas vezes, nós, pequeninos seres humanos, incorremos no mesmo erro de Lúcifer; achamos que compreendemos toda a verdade de Deus, ou quem sabe, queremos enaltecer-nos porque dedicamos o nosso tempo, talento e conhecimento para as coisas do Altíssimo ou, achamo-nos pessoas justas, quando na verdade “o pecado jaz à nossa porta” Gêneses 4: 7, corrompemo-nos ante a nossa suposta sabedoria e passamos a tratar os simples de coração com aspereza, severidade e desamor.
Precisamos estar atentos e vigilantes, pois a Bíblia nos aconselha em I Coríntios 10: 12 “Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia”.
O que aconteceu com Lúcifer, este príncipe dos anjos, foi que ele cobiçou a posição de Deus, confirme na Bíblia o relato: “Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei... subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo”. Isaías 14: 13 e 14.
Este pensamento solitário quebrou a perfeita harmonia que havia no Céu e o anjo começou a nutrir sentimentos de inveja em relação ao Filho de Deus, Cristo Jesus.
Ao ser, de forma amorável e cortês informado que definitivamente não tomaria parte na obra criativa da humanidade, este poderoso anjo, não tardou em usar o seu livre-arbítrio de forma funesta, desencadeando argumentos facciosos, com o intuito de denegrir o caráter de Deus, disseminando dúvidas sobre o justo governo do Altíssimo.
Aquele querubim cobridor dizia que Deus, o Todo Poderoso, formaria novas criaturas para preencher o vazio que havia no Seu ser, pois a adoração e o constante louvor dos entes celestiais estavam insuficientes para satisfazer o Seu ego; dizia também que Deus era desleal com os anjos ao impor leis e exigir uma cega observância.
Contudo, seus argumentos não foram suficientes para apagar a justiça Divina e nem remover na maioria dos seres celestiais o fato de que a Lei de Deus é perfeita.
Desta forma, Deus prova a todo o universo que é Amor, não destruindo a Lúcifer, pois, se assim O fizesse, alguns anjos, talvez, O servissem por pavor em vez de fazê-lo por um amor inteligente e saudável.
Esta rebelião, iniciada no caráter de Lúcifer, ganha a dimensão dos anjos e o transforma em Satanás, o inimigo e adversário de Deus, de Sua Lei, da Verdade e de Seu povo. Como conseqüência gera uma grande batalha Moral no Céu. É então anunciado que Satanás deveria ser expulso da habitação do Altíssimo.
Aquele que intentou subir às mais altas nuvens e ser semelhante a Deus, é, então, desgraçadamente, precipitado para o abismo. “Então houve guerra no Céu: Miguel e os Seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no Céu. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram precipitados com ele”. Apocalipse 12: 7 – 9.
Satanás chega a Terra com o mesmo espírito que nutria no Céu, desprezo total à Lei, ao Pai, e principalmente ao Criador que é o Filho Jesus, pois o inimigo agora não podia suportar a justiça divina, e constantemente lhe vinha ao pensamento às cenas vergonhosas de sua expulsão juntamente com seus simpatizantes.
Apesar de que após o esvaziamento do Céu dos seres revoltosos, a paz e a harmonia tenham voltado a reinar naquele ambiente, nunca mais a felicidade e a alegria se tornaram plenas, pois a Trindade em Sua misericórdia sentia o vazio da perda daqueles que um dia tinham sido amados e sentido o gozo da felicidade celestial.
Deus providencia imediatamente a execução do que havia planejado, fazer o homem à Sua imagem e semelhança para poder habitar a Terra recém preparada para receber o ser humano. Assim, Pai, Filho e Espírito Santo empenham-Se nesta grandiosa e poderosa obra, e rejubilam-Se ao contemplar que tudo que fora Criado era extraordinariamente belo.
Sempre esteve registrado no pensamento de Deus a plena, total e irrestrita felicidade de Seus filhos. Era desejo do amante Pai e Criador que o homem, ao ser formado viesse a usufruir cada ato criativo. Desta maneira, fica revelado o interesse da Trindade pelo ser humano antes mesmo deste ser gerado.
A terra foi formada para ser habitada pelo gênero humano e a este foi dada a capacidade de desfrutar plena e integralmente as obras das mãos dAquele que está assentado no Trono Universal.
No primeiro dia, Deus iluminou a Terra com Sua luz, que traduz a alegria e o contentamento proveniente do Criador. Ao homem que foi gerado, posteriormente, no sexto dia, Ele dotou de olhos para contemplar as belezas que a luz solar proporciona, para divisar as deslumbrantes cores do arco-íris, para apreciar os delicados matizes que a natureza nos apresenta através de sua flora e fauna. Sem a luz dos olhos, o homem não seria plenamente feliz.
No segundo dia, o Criador equilibrou as águas nas nuvens, protegendo a Terra com uma densa camada de ar. No homem Ele soprou o fôlego da vida, e doou o olfato para sentir as fragrâncias que a natureza nos oferece. O aroma desprendido das árvores, flores e frutos, dá ao homem o cheiro de vida para a vida, enchendo de contentamento sua existência.
No terceiro dia, alcatifou o solo com a verde relva, ornamentou as campinas com as mais variadas flores, vestiu as encostas dos outeiros com pomares que davam os mais variados frutos com suas sementes, além de emprestar oxigênio, sombra e frescor ao ambiente. No homem colocou o paladar para impressionar o apetite, e assim, saborear o gosto dos diversos frutos produzidos pela terra. O verde da relva é o colírio natural providenciado por Deus para dar descanso aos olhos. Sem os vegetais o homem não duraria muito tempo sobre o planeta, por isso Deus os fez para trazer satisfação ao homem.
No quarto dia, Deus suspendeu luminares no espaço, embelezando o firmamento com estrelas, sustendo-as no ar. Ao homem concedeu sabedoria para reconhecer o poder do Criador, deu entendimento para confirmar as delimitações das estações, dias e anos, bem como dotou o ser humano de aptidões para raciocinar e escolher as maravilhas de Deus, que com certeza o conduzirá a usufruir a bem-aventurança celestial.
No quinto dia, povoou o firmamento com os pássaros, para habitar as árvores das colinas, dando graça e beleza, enchendo o ambiente de melodiosas e suaves canções. Criou também os belíssimos cardumes para habitar os oceanos, rios e lagos. Ao homem dotou de ouvidos para perceber os cantos maviosos dos pássaros, os zumbidos de alguns insetos e bisbilhos de outros pequeninos seres; a capacidade de perceber o murmúrio do mar e distinguir o leve ruído das ondas, bem como diferenciar o retumbar dos trovões, da voz sussurrante e cálida de Deus falando no íntimo de nossa consciência. Tudo isto enche a vida da humanidade de alegria.
No sexto dia, Ele criou os magnificantes animais das selvas, os majestosos répteis dos pântanos, os demais animais que habitam as colinas e as gélidas regiões polares. Ao homem deu o augusto direito de nomear e domínio sobre os animais, o livre-arbítrio que é a responsabilidade de escolher e tomar as suas próprias decisões, como também a capacidade de tornar Deus feliz, seguindo os Seus conselhos e praticando a Sua Vontade.
Uma vez preenchido os requisitos providenciados pela Trindade para que o homem pudesse ser plenamente feliz, Criou, pois, Deus o homem à Sua imagem, conforme a Sua semelhança (Gêneses 1: 26). Tudo foi feito pelo Filho, Jesus Cristo e sem Ele nada do que foi feito se fez (João 1: 3).
Ao formar o homem, Cristo não se limitou apenas a falar, mas tomou do pó da terra, moldou o barro, sendo obra de Sua mão, deixando impresso no homem Sua digital, mostrando desta maneira o grau de afinidade e relacionamento amável que deveria haver entre criatura e Criador. “Soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente”. Gênesis 2: 7.
Com um caráter próprio, o homem ganha a capacidade, de raciocinar, escolher, decidir e, sobretudo, reconhecer que os caminhos de Deus são os melhores. Ao terminar a Sua obra resplendorosa, Cristo elevou o homem à dignidade Real.
Ao ser o homem coroado da emergente glória de Cristo, Satanás enciumado redobra sua ira contra Jesus, o Criador e, jura vingança a Deus, canalizando toda a sua ira contra o homem recentemente Criado. Planeja, então, uma maneira de desvirtualizar a criatura e ao mesmo tempo afrontar a Deus, manchando a autoridade moral do Criador ante o Universo, transformando a Criação num ato vergonhoso.
Assim, o inimigo imaginava ver Cristo totalmente prostrado, vencido e fracassado.
Uma vez usufruindo a total felicidade preparada por Deus, toda a humanidade, nas pessoas de Adão e Eva, unia constantemente suas vozes aos dos pássaros e dos demais animais, num harmonioso cântico de reconhecimento, adoração e amor à Trindade.
Todavia o casal Criado sentia a falta de um tempo em que pudesse perceber o coração plenamente agradecido ao profundo amor que nutria ao Criador e tivesse a possibilidade de expressar sua gratidão e reverência em forma de “Culto racional, santo e agradável ao Senhor”. Romanos 12: 1.
Para preencher esta lacuna, Deus, então, estabeleceu o Sábado para o homem, a fim de que ele pudesse de maneira mais ampla, contemplar as obras de Deus e meditar em Seu poder, bondade, gratidão e posteriormente, se relacionar com a família e os semelhantes. “Abençoou Deus o Sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a Sua obra que Criara e fizera”. Gênesis 2: 3.
Como podemos notar, o Sábado foi estabelecido para o homem (Marcos 2: 27), a humanidade em geral. Não para os judeus ou os israelitas, não para os Adventistas, e sim, como sendo “o dever de todo homem”. Eclesiastes 12: 13.
Conhecendo as necessidades essenciais do homem, Deus, então, providenciou o arremate para a felicidade do mesmo, estabelecendo o Sábado. Se você, meu querido leitor, estiver à procura da felicidade celestial, nas coisas que o mundo oferece, tais como: filosofias; ideologias; religiões ou algo semelhante, certamente não encontrará, pois a felicidade plena só existe no Criador! O Sábado é o elo perdido da felicidade. Somente no Mandamento do Sábado é que divisamos Cristo como Criador do Universo, por isso é que o inimigo tanto combate este Santo dia.
Igualmente, quando compreendemos as maravilhas de Deus, nos tornamos imensamente felizes, distribuindo alegria aos que nos rodeiam. Pois entendemos que o Pai celestial criou todas as coisas para nos servirem de deleite e satisfação. E quando seguimos o plano do nosso Criador, tornamo-nos realmente felizes.
Você gostaria de desfrutar da felicidade celestial? – Então faça a vontade de Deus, guarde os Seus Mandamentos e seja plenamente feliz!
No Sábado Deus descansou de toda a Sua obra que criara e fizera; em outras palavras, o descanso de Deus é o contentamento do Criador ao contemplar o desempenho perfeito de Sua obra que estabelecera. Deus sentia-Se gratificado, ao reconhecer que o casal criado refletia plenamente a imagem de seu Criador, por isso era capacitado para vencer as tentações e ciladas do inimigo. Esta capacidade do homem, tornava Deus feliz e recompensado. É por ter-Se sentido realizado, satisfeito e reconhecido, que Deus pôde então descansar.
Deus descansou, contudo, em momento algum se descuidou da segurança e bem-estar do homem. A prova desta afirmativa é que na viração do dia, Deus mesmo veio ter com o casal e com certeza explicou que o inimigo estava como leão que ruge ao derredor de sua presa (I Pedro 5: 8), tentando enganar o homem.
Mas o homem não precisava ceder às tentações do inimigo; para tanto, Deus ensinou a Adão e Eva as dez regras áureas para preservar a felicidade concedida por Ele. Estas dez regras áureas estão substanciadas nos Dez Mandamentos. I João 2: 7. “Amados, não vos escrevo Mandamento novo, mas Mandamento antigo, que tendes desde o princípio. Este Mandamento antigo é a Palavra que ouvistes”.
Sabe? Meu querido leitor, se você deixar de obedecer a um dos Mandamentos da Lei de Deus, com certeza, você terá perdido um importante atributo da felicidade celestial; portanto, para se ter à felicidade total em Deus, precisamos reunir os dez atributos da felicidade em nossa vida, através do exercício da fé.
É importante notar que estes dez atributos ou Mandamentos são a expressa imagem do caráter, ou vontade de Deus. Existe uma relação muito grande entre Deus, o homem e os Mandamentos.
Lembre-se, Deus formou o homem à Sua imagem e semelhança, moldando-o no barro, imprimindo nele Sua digital, demonstrando assim o grau de intimidade entre criatura e Criador.
Algo semelhante aconteceu com os Mandamentos, Deus não permitiu que homem algum, nem mesmo o próprio Moisés, quando recebeu Sua revelação, escrevesse os Seus Mandamentos no momento que foram confiados ao profeta.
Note que foi o próprio dedo de Deus quem os escreveu, deixando nos Mandamentos Sua digital. Êxodo 31: 18 “E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus”.
Desta maneira, é demonstrada a relação que deveria existir entre Deus, os Dez Mandamentos e o homem, pois os Mandamentos como a Terra, foram feitos para a total felicidade da humanidade.
Estes Mandamentos, que estão registrados em Êxodo 20, são capazes de propiciarem felicidade a todo o humano, porque o nosso amorável Pai e Criador imprimiu o Seu código Moral na nossa mente, para que, no momento oportuno e de necessidade recorrêssemos a esta maravilhosa Lei.
Observe a efetivação deste fato, relatada em Hebreus 8: 10. “Depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as Minhas Leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo”.
O inimigo, que procurava uma maneira de destruir o homem e ao mesmo tempo expor a imagem de Deus e de Cristo ao ridículo, encontrou exatamente no Sábado o ponto de apoio para seu intento maléfico e funesto.
Ele sabia que o Sábado foi estabelecido como memorial da Criação e apontava a Cristo como o Deus Criador de todas as coisas, sabia também que é o sinal de que Jesus é o Senhor nosso Deus. Confirme em Ezequiel 20: 20. “E santificai os Meus Sábados; e eles servirão de sinal entre Mim e vós, para que saibais que Eu Sou o Senhor vosso Deus”.
Além de que, o Sábado é o sinal para Santificação do homem. Observe esta premissa em Ezequiel 20: 12. “Demais lhes dei também, os Meus Sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles; a fim de que soubessem que Eu Sou o Senhor que os santifica”.
Imagino que Satanás pensou consigo mesmo: Se o homem me obedecer exatamente no dia de Sábado, não só destruirei a raça humana, como exporei a Trindade ao escárnio, frustrando toda Sua obra Criativa, prostrando definitivamente a Cristo. Minha vingança será total, e oferecerei todos os reinos deste mundo a Jesus, se prostrado me adorar. Fique atento ao relato de Mateus capítulo 4 e o verso 9 que diz: “E disse-Lhe; tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. Assim, tomarei o que me é de direito, honra e admiração dos seres celestiais.
Ante o desejo incontido de vingança, o inimigo, parte com todo o seu afã na procura de uma oportunidade de pôr em prática seu intento maléfico.
Contudo, Deus o Pai, protegia a Adão e Eva e na viração do dia entre conversas amigáveis e conselhos, Deus conta ao santo par a história da queda de Satanás e como ele tencionava destruí-los; contudo se o homem continuasse em harmonia com a Lei de Deus, ele estaria seguro e habilitado para suportar as investidas maldosas do inimigo.
Portanto, era de capital importância que o homem estivesse sempre junto de sua mulher, pois a união faz a força e com certeza Deus nunca os abandonaria.
Imagino que foi justamente num Sábado, que Satanás encontrou a facilidade de executar o seu plano funesto. Quem sabe?!... Adão estivesse descansando conforme o Mandamento e Eva estivesse passeando no Jardim do Éden, tirando proveito das lições que a natureza proporciona. Em um dado momento, Eva se apercebe que está distante de seu amado Adão e lembra-se da advertência de Deus de não se afastar de seu esposo.
Contudo, Eva joga para longe os seus maus pressentimentos, sem se aperceber de que estava na proximidade da belíssima árvore do conhecimento do bem e do mal.
Foi justamente aí, num dia de Sábado, que Satanás encontrou a oportunidade desejada e, ardilosamente, usando do artifício da ventriloquia fala como se fora a serpente, uma das mais belas e discretas criaturas que voava com todo seu fulgurante brilho e, naquele momento, pousa na árvore e se dirige com galanteio a Eva dizendo: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?”. Gênesis 3: 1.
Eva, admirada e surpresa responde amavelmente: “Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus; não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então a serpente disse à mulher; Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal”. Gênesis 3: 2 – 5. E continuou o inimigo falando através da Serpente: Eu mesma comi do fruto, e como você pode se aperceber estou falando.
Naquele momento, Eva preferiu acreditar nas palavras do inimigo, ao invés de acreditar no seu Criador, uma vez que ela estava percebendo que o fruto era bom para os olhos, entendimento e agradável ao paladar, então, em desacordo ao conselho de Deus, ela tomou do fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.
Presumo, assim, que o inimigo consegue em pleno Sábado, fazer o casal desobedecer a Deus. Esta tem sido a obra de Satanás desde então e, muitos têm seguido o exemplo de Adão e Eva, andando em caminhos que os levam à degradação moral e consequentemente à morte, desonrando abertamente o santo Sábado do Senhor.
Como era costume do Grande Legislador Universal fazer-se presente em pessoa, sempre no crepúsculo, num maravilhoso passeio no jardim, naquele Sábado, o casal que havia destoado da harmoniosa vontade de Deus, procura fugir de Sua presença. “Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás? Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me. Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?”   Gênesis 3: 9 – 11.
Imediatamente, e sem refletir, o homem procura jogar a culpa em Deus, numa desesperada tentativa de fugir de sua responsabilidade, absorvendo imediatamente as fraquezas de caráter do inimigo e diz: “A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi”. Gênesis 3: 12.
Desta maneira, o homem procura fugir da sua responsabilidade, dizendo que a culpa era de Deus que Criou a mulher, ou da própria mulher menos dele, pois ele era a única vítima neste incidente.
Contudo Adão não foi enganado, como Eva também não o foi, nem pela serpente nem muito menos por sua mulher; ele, deliberadamente, decidiu seguir o destino de sua amada Eva. Que terrível transformação o pecado operou no caráter de Adão, e consequentemente, de toda a humanidade.
Deus então se dirige à mulher e lhe interroga: Por que fizeste isto? A resposta em forma de pergunta veio imediata: Por que, Senhor, tu criastes a serpente? Ela me enganou e eu comi!
O casal, que anteriormente, era unido no louvor e reconhecimento a Deus pelas obras criadas, agora unia seus pensamentos numa afronta a Deus, responsabilizando-O pela sua fraqueza e queda.
Enquanto Deus se entristecia pelo fato do homem ter escolhido a trilha que, a seu ver, parecia boa, mas no seu cabo, era caminho de morte, o inimigo rejubilava-se, achando que definitivamente tinha vencido a Deus, e finalmente, seria reconhecido e aclamado no Céu pelos seus antigos companheiros.
O que o enganador não sabia, é que na amorável sabedoria de Deus, a Trindade havia providenciado um Plano para resgatar o homem das garras do mal.
Por um momento, houve um grande pesar e mórbido silêncio no paço celestial. No entanto, o Filho de Deus propôs-se a dar a Sua vida em resgate a tantos quantos O aceitassem, e assim, definitivamente, destruiria o poder da morte e devolveria à raça caída tudo que perdera com a transgressão.
A Terra restaurada será a morada de Deus com os homens por toda a eternidade. O conhecimento deste fato devolveu aos seres celestiais a alegria, enquanto o inimigo, cada vez mais se irava contra Deus, Sua Verdade e Seu povo.
O fato é que quando o homem decidiu crer no inimigo, automaticamente deixou de reconhecer a paternidade divina, e entregou, deliberadamente, esta paternidade ao falsário, tornando-se cativo, servo e filho!
Assim, Satanás obtém, por fraude e sem direito, a posse da humanidade, sendo reconhecido como o “deus deste século” II Coríntios 4: 4. Confirme: “Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo”. II São Pedro 2: 19. “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus”. I João 3: 10. “Ó filho do Diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os caminhos retos do Senhor?" Atos 13: 10.
Jesus Cristo assumiu definitivamente o destino do homem. Ele poderia ter mudado a Sua Lei, contudo “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3: 16.
É através deste sacrifício da Trindade que todo o Universo consegue compreender a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus. Pois bastaria ter mudado Sua Lei e Cristo não precisaria depor sua vida em prol do pecador.
Morrendo na cruz, Jesus confirma que o salário do pecado é a morte e ao mesmo tempo assegura a vitória sobre o pecado, garantindo no final das eras a destruição de Satanás, seus anjos e seus seguidores humanos.
Na cruz, Cristo brada a todo o Universo que Deus é justo e misericordioso e que na Sua Lei eterna, consta o Mandamento do Sábado, que O identifica como Deus Criador dos Céus, da Terra, dos que nela habitam e de tudo o que nela há.
É por isso que Satanás, tanto detesta a Lei de Deus, em especial o Sábado, pois é memorial da Criação e isto muito machuca o inimigo, pois ele sabe que pouco tempo lhe resta.
Por isso, meu querido leitor, atenda aos graciosos reclamos de Jesus, nosso Sumo Sacerdote, achegando-se “confiadamente, junto ao trono da graça para socorro em ocasião oportuna”. Hebreus 4: 16. Tenha certeza nas promessas de Jesus, pois Ele o faz saber que: “No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação”. II Coríntios 6: 2.