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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Janela Poética - PETIÇÃO



PETIÇÃO 
                   Glauco César


Só em ti Senhor,
encontro o meu refúgio,
e o teu favor,
não sou envergonhado,
oh! meu Senhor,
inclinam os teus ouvidos.

Sê, ó meu Senhor,
o meu castelo forte,
o meu louvor.
És minha fortaleza,
meu vigor.
Envia o Teu Espírito.

Sei, oh! Meu Senhor,
que o teu favor
chegou e me remiu.
Confio só em Ti,
de todo coração.

Mas eu sou feliz,
pois não atribuístes
a minha iniquidade,
e deu-me a salvação.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Janela Poética - O ENCONTRO



O ENCONTRO
                              Glauco César




Eu quero sempre estar
com o meu Pai, o eterno Deus,
e ter um encontro com Jesus,
no ar suspenso.
Rever meus amigos
que perdi há muito tempo
e desejo ter a paz celestial.

Quisera que os meus
entes queridos, todos tivessem,
também em harmonia
pra encontrar o Redentor,
e ser o motivo de alegria
e regozijo que traria
a todo o Céu o resplendor.

Depois do estágio
de mil anos retornaria
pra terra onde aqui
eu me criei por Seu favor.
Sentir na Terra a certeza
de que toda a natureza
restaura o Éden por amor.

Gozar a eternidade
nesta terra renovada,
agradecendo ao Homem
que morreu na dura cruz.
Viver com os amigos do passado
e a família ao meu lado
caminhando com Jesus.

Eu quero encontrar
com o meu Pai e Deus.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Janela Poética - RETRATO!



RETRATO!  
                    Educador Glauco César



Partiu o navegador
do Velho Mundo, cansado,
no mar tenebroso vagou
mas, logo soltou o brado:
- Terra à vista!
- Foi descoberta
a ilha de Vera Cruz!
Houve grande aclamação,
na terra de Santa Cruz!
Também muita exaltação!
O marujo sai da nau,
com seu porte varonil,
encontra o diferencial
pretendido “pau-brasil”.
O nativo queria entender
pra que essa vestimenta?
O desbravador, a acometer
então de súbito lamenta,
dos ameríndios a nudez.
- Melhor explorá-los? Talvez!
Terra à vista!
- Nela haverá
catequização, pioneirismo,
colonização, bandeirismo,
exploração e a busca do ouro!
A coleta de especiaria
será um belo tesouro!
O explorador com alegria
Repete: - Terra à vista!
- Foi descoberto o Brasil!
Escambo com os homens da terra,
engano para os aborígenes!
Nessa história se encerra
a essência da nossa origem!
Foi descoberto o Brasil!
Aqui chegou o donatário
com as suas Capitanias
fez do índio um otário,
doando aos seus, sesmarias!
Imaginou uma escravidão
para subjugar o nativo
rouba também o seu pão!
O índio que era ativo,
parece ser preguiçoso,
por não querer trabalhar,
nem exercer essa lida.
- Pois, que perca seu lar,
perca também sua vida!
- Mas... Foi descoberto o Brasil!
O negro? É pra escravizar,
sabemos, ele é desalmado,
foi feito pra trabalhar,
penar e ficar calado,
ele não produz réstia,
nem tem sequer coração,
sofrer é o que lhe resta,
este é o seu quinhão!
Foi descoberto o Brasil!
da economia primária,
também da exportação,
a vida pra uns é precária,
pra outros é humilhação.
Agoniza o protesto do povo,
o grito de arrumação!
descobriu-se nosso Brasil,
terra da posteridade
escrita no ego da gente,
será mesmo realidade?
E nesse vocabulário
daquele conquistador
será extraordinário
seja do jeito que for.
Na cadência do martelo
naquela estranha ação
quebrando num instante o elo
da nossa arribação!
Ecoa ao longe... - Terra à vista!
- Nela há índios nativos,
negros, mulatos, mestiços,
cafuzos, caboclos ativos
e brancos nacionais.
Há também imigrantes,
que são intelectuais,
porém, são beligerantes!
Existem camponeses, otários,
grileiros “sempre decentes”,
também há operários.
Há fazendeiros dementes
e hostis latifundiários!
Assim está descoberta
a “afundação” do Brasil
a porta ficou aberta!
Aborígenes desalojados,
comunidades? Faliu!
Quilombolas exterminados!
Foi descoberto o Brasil
da paixão só pela bola,
nação que a todos uniu
para fugir da escola,
assim, entrou pelo ralo,
o povo mendiga o pão,
digo isso e não me calo,
quem da escola fugiu
não vence, vira ladrão!
Esse retrato é Brasil!!!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Janela Poética - LAMENTO E REVOLTA DA NATUREZA



LAMENTO E REVOLTA DA NATUREZA

                                                  Educador Glauco César



ABIURANA vermelha,
ACAPURANA do mato,
ANDIROBAJARUBA,
ARARACANGA amarela.
Avermelhou CARIPIZEIRO
e a mata tornou-se
CINZEIRO ESCURO.

E o rio?
Fugiu pro mar,
procurou se afogar
pra não ver
a mata morrer
e queimar.

O vento correu,
o nativo fugiu,
a mata morreu
e a vida sumiu.
O sol rachou a terra
que lambeu as águas do rio.
O homem abandonou a gleba
e desesperado fugiu.
A mata inteira queimou,
a natureza se revoltou.
Ficou o lamento da mata,
o homem se arredou.
Fugiu.
Pra onde?
Pra quê?

Quer um lugar pra viver. . .
Pra matar. . .
Destruir. . .
Acabar. . .
Desfazer. . .
Arredar.

Só não sabe construir. . .
Refazer. . .
Transformar. . .
Arrumar. . .
Melhorar. . .
Melhorar pra quê?

Pra ver o lamento da mata,
a tristeza do ar,
convulsão desta terra,
abandono do mar,
a secura das águas,
desta terra a pobreza,
a revolta da natureza,
que não consegue se renovar?

GORABARANA vermelha,
JACAMIRANA amarela,
UCUUBARANA escura,
UMARIRANA avermelhada
pretificou PRACUUBA PRETA
e o GUAJARÁ-PIMENTA
ficou amarelo queimado.

E o rio?
Fugiu pro mar,
procurou se afogar
pra não ver
a mata morrer
e queimar!...