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sábado, 18 de janeiro de 2014

IDE - O Anjo da Igreja

O ANJO DA IGREJA

Educador Glauco César

NOTA DO ARTICULISTA -  Veicule nesse blog, seu artigo sobre esse mesmo assunto, remetendo seu texto para o e-mail janelaprofetica@hotmail.com
        Uma vez que uma determinada opinião é postada, e outra sobre o mesmo assunto também é veiculada, abre a oportunidade aos leitores de entrar em contato com vários entendimentos e, assim, concordar ou discordar das mesmas, enriquecendo desta maneira, seu cabedal de conhecimento.



AO ANJO DA IGREJA – Jesus, por intermédio do Seu anjo Gabriel, notificou ao amigo e servo João e este nos revela que as sete estrelas, são os anjos das sete igrejas. Apocalipse 1: 20. “Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.
                A palavra anjo, que provém do grego aggelos ou aggeloi, no Novo Testamento também é aplicada para designar uma pessoa ou mais, no sentido de ‘mensageiro’, ‘divulgador’, ‘emissário’ ou, responsável referencial de uma determinada comunidade envolvida em anunciar as boas novas de Cristo.
                   Não é possível, que a palavra anjo, neste texto, se refira a seres celestiais, uma vez que no Apocalipse consta a última mensagem de Deus, direcionada à humanidade, para que esta se arrependa das suas iniquidades.
                Desta maneira, seria improvável que Deus enviasse mensagens a anjos literais, uma vez que os anjos bons não necessitam de arrependimento, e muito menos os anjos maus, pois, estes perderam sua oportunidade, quando, da morte vicária de Cristo! Naquela oportunidade a porta da graça fechou-se para aquela terça parte de anjos que foram expulsos do paço celestial.
               Na visão em que Cristo caminha por entre os castiçais de ouro que  simbolizam as sete igrejas, portanto, são figuras de todas as pessoas de cada um dos sete períodos, este passear do Mestre, demonstra Sua relação com a igreja indivíduo, denotando Sua preocupação constante em comunicar-se com toda pessoa de cada período, evidenciando assim Seu auxílio exemplar em benefício de todos.
                      É desejo do Criador que Seus Filhos reproduzam um caráter aurífero, espelhando o proceder do Mestre, por isso, a substância modeladora do castiçal é ouro, pois, esse precioso metal é representativo do caráter do Onipotente, e o Divino deseja habitar nas pessoas que sejam um receptáculo de ouro, para que possam refletir mais nitidamente a claridade que emana do Trono Universal.
                      É de bom alvitre ter sempre em mente que cada uma das sete igrejas do Apocalipse representa um período de tempo ou, uma experiência de vida espiritual, nunca uma denominação em particular. Se assim fosse, em cada período descrito por essas igrejas, teria, necessariamente, uma nova instituição eclesiástica como sendo a ‘verdadeira igreja de Deus’!
                      Este trilhar do Senhor entre as igrejas, é também figura do desejo do Filho do Homem em estar cuidando, auxiliando e, sobretudo, acompanhando com Suas mãos protetoras àqueles que se deixam fazer mensageiros da Sua Palavra e se tornam, verdadeiramente, ministros de Deus, para refletir o resplendor da Glória num mundo enegrecido pelo pecado.
             Como todas as pessoas são possessão de Deus, portanto, faz parte de Seu povo, conforme o enunciado de Efésios 4: 5 e 6 que relata “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” Igualmente todo anjo, mensageiro, anunciante de Cristo, recebeu extraordinária responsabilidade, a incumbência de revelar a toda criatura humana, as suaves recomendações de Deus, o amor de Jesus.
                 É bom saber que as estrelas do céu estão no controle de Cristo. Jesus, a Estrela da Manhã, ilumina cada astro, dá um curso e uma rota a seguir.
                     Se as estrelas desviassem seus movimentos do plano traçado por Deus, com certeza cairiam.
               É isto um belo quadro dos mensageiros, anunciantes, educadores, dirigentes e, todos que se sintam responsáveis em transmitir as verdades de Cristo! Todos estes e outros tantos, são estrelas ou anjos ao amparo de Jesus.
                   Cada um deles deve ser instrumento nas mãos de Deus, refletindo a claridade do caráter do Onipotente, nutridos pela eficiência do perdão. Só assim, serão imitadores de Jesus Cristo.
            Pode acontecer que alguns dos mensageiros se esquivem desse entendimento, nesse caso, por certo escorregarão das mãos protetoras do Filho e, não conseguirão resplandecer! Certamente, em assim acontecendo, eles, como recipientes, estarão vazios da misericórdia de Deus.   
                    De João Batista é dito ser ele o ‘anjo’ (aggelos) que devia preparar o caminho para Jesus de quem era ele precursor. Mateus 11: 10. “Este é de quem está escrito: Eis aí Eu envio diante da tua face o Meu anjo (mensageiro), o qual preparará o Teu caminho diante de Ti.”
                       Igualmente, nas cartas simbólicas às sete igrejas, todo e qualquer mensageiro, anunciante, educador, ou todo aquele que se envolver em transmitir o desejo de Cristo, é chamado ‘anjo’.
                O anjo de uma igreja deve significar um mensageiro, ou anunciante, dessa igreja; e como cada uma destas igrejas abrange um período de tempo, o anjo de cada igreja deve significar todo que se envolva nessa missão durante o período abrangido por essa igreja.
                    As diferentes mensagens, posto que dirigidas aos mensageiros, não podem ser aplicáveis só a eles; mas, com propriedade, são dirigidas por meio deles a toda pessoa de cada período, pela igreja, abrangido!
                    Aos mensageiros é facultado o sagrado encargo de manter cada criatura num elevado estado espiritual, alimentá-lo devidamente com a pura e santa Palavra da Vida e vigiar o adversário para que ele não o macule de qualquer modo com falsos ensinos e com aquilo que é deste mundo.
                     Daí toda a negligência neste sentido ao rebanho do Senhor, Deus, o Todo Poderoso, pedirá conta, por ser essa uma sagrada incumbência de cada anjo.
                     Os cristãos, em geral, são aquilo que são os seus guias espirituais. As próprias Sagradas Escrituras dizem que o povo se identifica com os sacerdotes. Fiquemos atentos a Oséias 4: 4 e 9. “Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa... Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote; castigá-lo-ei pelo seu procedimento e lhe darei o pago das suas obras.”
               Se a igreja em um dado período é pura e consagrada, é porque sua direção o é. Se noutro período ela não é inteiramente fiel aos seus compromissos espirituais, é porque sua direção também não o é à sua alta missão. 

ESCREVE: ISTO DIZ AQUELE QUE TEM NA SUA DESTRA AS SETE ESTRELAS, QUE ANDA NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS DE OURO.- É desta maneira diligente, abarcante e explicativa, que Cristo é apresentado ao servo João. Este, atende prontamente o pedido e escreve em um único livro, e envia às sete igrejas, para servirem de instrução, correção e repreensão.
                  Igualmente, Jesus se apresenta as igrejas de todos os períodos, a começar por Éfeso, como Senhor, e mantenedor de Sua Palavra e de Seu desejo para toda criatura que sabiamente se envolva na divulgação de Sua mensagem.
NA SUA DESTRA - O estar na destra do Senhor, ou seja, na Sua mão direita, não quer dizer, necessariamente, que esteja sob Seu poder, sob o Seu controle sob o Seu domínio. Isto, pelo simples fato de, mesmo estando sob a proteção de Cristo, eles permanecem com o sagrado livre arbítrio, doado pelo próprio Criador, e este, jamais retirará da humanidade, a menos que a porta da graça se feche! Isto não quer dizer que na eternidade não tenhamos a possibilidade de pecar! Teremos sim, contudo, em face de nossa experiência anterior, não daremos margem para que o pecado se levante outra vez!
                   Assim, quando Jesus afirma que os Seus anjos se mantêm na Sua mão direita, Ele está esclarecendo-nos, que Seus mensageiros, apesar de ter a liberdade de ir de encontro à vontade de Deus, não obstante, estão sob a supervisão do Onipotente, ou seja, ao alcance da visão que a tudo descortina com exata percepção aguda provinda do Alto. Confirme, em Hebreus 4: 13 descreve dessa maneira: “E não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos dAquele com quem temos de tratar.”

AS SETE ESTRELAS - Somente quando o ministrador, que é o anjo da igreja, ou as sete estrelas,  se torna fiel a Deus, como a agulha o é ao polo, é que será aferido, ou seja, ajustado ao arquétipo, uma vez que ao ser conferido é encontrado em harmonia com o padrão do Todo Poderoso, por isso recebe a marca de aferição dAquele que está assentado sobre o Trono Universal.
               Este conhecimento derrama luz sobre os mensageiros de Deus. São, portanto, os medianeiros de todas as denominações existentes em um determinado período. É interessante notar que todas as pessoas, indistintamente, foram agraciadas com a responsabilidade de descrever o real caráter de Deus e Seu propósito para com todos.
                   Todavia, se falharem no desempenho de suas tarefas, elas serão fatalmente banidas da mão de Jesus. Estas não receberão a aferição de Deus, conforme registrado em Apocalipse 2: 5 que relata: “Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.”
                      Cristo Jesus se apresenta como tendo em Sua mão os Seus mensageiros, não somente os do período apostólico, bem como dos períodos subsequentes, até ao Seu segundo advento.
                        Particularmente, no período de Éfeso é que esta mensagem foi anunciada, porém nos períodos subsequentes ganha maior sentido apelante, pois denota que os ministradores deviam depender somente de Cristo, pois em Apocalipse 1: 11, Cristo instrui João, através do anjo Gabriel, escrever num só livro, tudo o que ele viu e ouviu e enviar às sete igrejas, não somente a uma, mas, às sete, para servir de instrução, correção e apelo, para que todos pudessem seguir e alcançar um bom desempenho. “Que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia; a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laudicéia.” Apocalipse 1: 11.
             É evidente que os novos explanadores da palavra perderam o espírito apostólico, deixaram de fundamentar-se na revelação e no Revelador e arrastaram a igreja à frieza espiritual e à indiferença para com o zelo missionário herdado das testemunhas oculares do Salvador.
           O descaso dos que sucederam os apóstolos no ministério redundou, hoje, num cristianismo que, em alguns aspectos, abandonou os ensinos de Cristo.
               Contudo, e também, Jesus segurando as sete estrelas com a Sua mão direita, é figura de um belo e patente quadro de Sua pessoal preocupação por todos os divulgadores, que deveriam ser todas as pessoas, de todos os sete períodos, representados pelas sete igrejas, sustentando-as com o Seu braço forte. E, isto nos conforta, pois, não importa que perseguições as pessoas tenham tido de enfrentar, o Senhor tem estado com os Seus sofredores santos, sustentando-os, partilhando suas provações e sentindo cada ferida a eles infligida por seus inimigos.
                     Verdadeiramente, a introdução da carta de Cristo à igreja de Éfeso foi o Seu brado de alarme à Sua igreja em perigo.

QUE ANDA NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS DE OURO - Jesus Cristo também se apresenta às igrejas como que caminhando no meio dos sete castiçais de ouro, que maravilhosa e gratificante cena, o Filho do Homem é visto no meio dos castiçais ou igrejas, que são todas as pessoas, participando de suas experiências, compreendendo suas necessidades, ajudando-os, auxiliando-os, repreendendo-os, corrigindo-os, instruindo-os e vivificando-os.
                O caminhar de Cristo entre as pessoas/igrejas, ou seja, em todos os períodos, denota que, mesmo naqueles períodos, em que a igreja nos pareceu fracassada, ainda assim, Jesus estava vivo, atuando.
              Desta maneira, em todos os períodos da história eclesiástica, Deus sempre tem um remanescente fiel, que não se curva perante os interesses do mundo, somente aos desejos do Pai.
         Isto tem sido sempre uma fonte de conforto, especialmente em tempos de perseguição. Seja qual for a experiência pela qual o povo que aceitou ouvir os reclamos de Deus seja chamado a passar, pode estar certo de que o Senhor está com eles. Sua promessa de participação foi: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” Mateus 28: 20.
                    É verdade! Cristo esteve com Seu povo em todos os períodos da história de Sua igreja, não somente na igreja de Éfeso, mas, principalmente, está conosco na Igreja de Laudicéia. Pois, é no período desta igreja que se dará a consumação dos séculos.
                Nós bem que precisamos do auxílio do Mestre nestes últimos dias, para passarmos sobranceiros pela grande crise espiritual que já está instalada e haverá de progredir nos derradeiros instantes da história deste mundo de pecados e miséria.
                         Fica, portanto, conosco, Jesus!

CONHEÇO AS TUAS OBRAS, TANTO O TEU LABOR COMO A TUA PERSEVERANÇA. – Em meio a tantas contradições, contratempos e contenda, ainda assim, o povo da igreja de Éfeso foi elogiado pelo seu inquebrantável zelo.
           Esta foi uma igreja operosa, que trabalhava arduamente por Deus, e o Pai reconhecia seus esforços, conforme predito por Paulo em sua carta aos Hebreus 4: 13 que relata: “E não há criatura que não seja manifesta na Sua presença pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos dAquele a quem temos de prestar contas.”
                       As obras de toda humanidade estão patentes aos vigilantes olhos do Onipotente. Por isso é impossível esconder do Senhor qualquer coisa que nos condene, logicamente, por haver praticado algo inconveniente! Nosso Deus sabe de tudo! Nada passa despercebido aos olhos do Onipotente! Portanto, cada seguidor de Cristo deve ter como incentivo e advertência, se apegar as boas obras, reprimindo, paulatinamente, os maus procedimentos morais.
                    Todo propósito, palavra e ação são distintamente observadas pelo Escrutinador do Universo, Deus tudo sabe. Contudo é importante lembrar que as obras não produzem amor, nem podem tomar o lugar do amor. As obras são apenas a evidência do amor.

EU CONHEÇO - Quando Jesus Cristo chega junto da pessoa penitente e diz conhecer seu desempenho, entendemos residir aí uma admoestação de Jesus, dizendo ser o Alguém que se acha plenamente relacionado com o pecador, por isso, Ele entende os problemas das pessoas.
               O Filho do Homem se apresenta, então, como a Solução dos problemas das pessoas, habilitando-as adequada e eficientemente para varrerem os entulhos do pecado, que ainda se acumulam nas vidas delas.
                     Cabe a cada um, fazer a profilaxia em sua própria vida, através da intervenção de Cristo, munido com o poder do Espírito Santo. Agindo assim, cada um será conhecido diante dos homens, esta experimentação fará cada pessoa ilustre diante de Deus, se tornando famosa, pois terá seu nome gravado nos livros dos recordes, o Livro da Vida, para serem celebres durante toda a eternidade, pois, esta é a vontade do Criador.

TUAS – É somente através de Jesus que Deus procura individualizar e personalizar Sua relação, estreitando de forma direta e pessoal o relacionamento com Seus amigos, não só deste período, como de todas as Épocas.

OBRAS – É importante lembrar que os símbolos usados em cada igreja, nos diversos períodos da história eclesiástica, revelam o estado espiritual e moral dos habitantes do mundo, de uma forma em geral, em cada período, não sendo verdadeira a colocação de que reflita somente a postura do povo que faz parte da suposta igreja de Deus.
                 Uma vez, que esta mensagem de arrependimento, força e fé, é destinada a todos, tanto aos que estão fora do redil, como para os que estão sob a proteção de Deus, para que todos se sintam, verdadeiramente, como são, filhos do mesmo Pai. É o que assevera Mateus 5: 45 descreve assim: “Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus, porque faz que o Seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.” Como sabemos, e evidenciado está, em todos os períodos haviam bons e maus, justos e injustos, tanto dentro como fora da suposta igreja de Deus, como arvoram a maioria das denominações.
                          Não obstante, na época dos apóstolos, durante o século primeiro, houve um grande crescimento em número de conversos, pessoas com espiritualidade elevada.
                 Diz o historiador Edward Gibbon que nesse período, os cristãos acresceram assoberbadamente, atingindo o significante número de mais ou menos 6.000.000 de adeptos.
                     Os Apóstolos deixaram evidenciado e sem a menor sombra de dúvidas, a pura doutrina de Cristo, cujo ensinamento esclarece: “Todas as vossas coisas sejam feitas com amor.”    I Coríntios 16: 14.
                     Esta informação elucida-nos que as obras quando praticadas egoisticamente e desprovida de amor, são nulas, em nada progride.
                     Igualmente, temos ciência que as obras, por si sós, são mortas, e a Bíblia confirma em Tiago 2: 17 que relata: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” Sabemos que o inverso, também, é verdade. Compreendemos, da mesma forma, que as obras destituídas de amor, na maioria das vezes, servem somente, para nos condenar, principalmente, se as praticamos, com o objetivo, de extrair delas, a salvação.
                     Se assim agimos, no dia final, a nossa retribuição, será uma desagradável surpresa. Confira em Mateus 7: 21 – 23 que relata desta maneira: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus. Muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome? E em Teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade.”
                     Todavia, quando Cristo assevera que ‘Conhece’ as nossas obras, Ele está a nos dizer, que tem conhecimento das nossas motivações. Jesus sabe, que estas obras foram operadas pelo amor que temos por Ele, sabe também, que estas obras, são as provas visíveis da Fé que Opera. Ou seja, são obras praticadas, não com o interesse de obter a salvação, mas, sobretudo, com o objetivo ímpar de levar outros, a tomar posse da Salvação.
                  Contudo, Deus está tranquilizando os que praticam tais obras, como que dizendo: Compreendo e aprovo tais procedimentos, pois, tiveram a aprovação e a intervenção do Alto, e como resultado, redundou no aperfeiçoamento do caráter do ser humano.
           Desta maneira, as obras são reconhecidas, os praticantes são conhecidos por terem nutrido uma amizade de amor com Jesus.
                  A maior obra pelos quais os Efésios foram elogiados foi, na verdade, sua intimidade e compromisso com o Amor. Eles eram caridosos.
                     Como sabemos, a caridade é o amor em exercício, é a exercitação da vontade de Deus por nosso intermédio.
            Sabemos também que o grande clamor da humanidade de hoje é: Demonstra-nos caridade, dá-nos amor.
                          Se esta é a necessidade atual, é por se ter falta dessa mercadoria nas prateleiras da estante da vida presente, tanto fora da igreja, como, principalmente, entre os professos amigos de Deus.
                   Precisamos amar urgentemente todas as criaturas, todas, indistintamente.
                   Amar aos irmãos da fé, chega a ser, até mais difícil que amar aqueles, por quem achamos que Cristo, também morreu por eles, contudo, ainda não O aceitaram.
              Precisamos estreitar os laços de amizade, amor e afeto, com os homens das trevas, contudo, nunca devemos nos comprometer com o mal. Isto só é possível, se refletirmos o caráter de Jesus.
                 O erro cometido pelos seguidores do mal é, às vezes, menos pernicioso, que os erros cometidos por aqueles que deveriam luzir para Cristo, e, no entanto, destoam de Sua sagrada missão ao se colocar em oposição aos que se preparam para levantar a tocha da verdade.
                Estes, não encontrando espaço nem recebendo oportunidade para desenvolver seus talentos, são desta forma, alijados do trabalho do Senhor, como consequência, é obliterado o traçado da Luz de Cristo.
                       Erro este, que além de arruinar os opressores, os falsos irmãos, dificultam o caminhar dos irmãos oprimidos, retardando o desenvolvimento da marcha do bem.
                        O verdadeiro cristão, não pode ser cortês com aqueles irmãos da fé, que estão fazendo oposição gratuita para com aqueles que diligentemente se preparam em amor, desejosos de transmitir a mensagem do Onipotente.
                    Contudo, aquele que é fiel, deve apontar de forma clara e amorosa, o desamor daqueles infiéis mestres e irmãos, seus enganos espirituais devem ser descobertos, para, se possível, ser corrigido. Agindo assim, o pecado, será fatalmente banido do seio da igreja.
                É desta forma que os detentores da verdadeira caridade e do verdadeiro amor devem proceder. Pautar sua vida em defesa de Cristo e do Onipotente.
                     Pois, obra alguma é capaz de produzir amor, ou substituir o amor. Contudo, o verdadeiro amor, produz boas obras que evidenciam o amor de Deus.
            Não basta estar ao lado da verdade, ter um sustentáculo seguro, estar empenhado na causa de Deus; quando na realidade falta-lhe a genuína razão, a autêntica motivação; o Amor.
                   Faltando o Amor, há ausência de tudo, existe carência de Deus, pois, “Deus é Amor.” I João 4: 8.

LABOR – Numa primeira olhada, nos parece estranho que o Senhor, conheça nossas obras e o nosso labor, pois, obras e labor são palavras semelhantes, quase sinônimas.
                     É justamente a pequena diversidade entre ambas, que faz a grande diferença, pois, a palavra labor pressupõe aquela parte das obras, que é direcionada ao operário como uma tarefa que deve ser executada com muita pressa, num verdadeiro trabalho ativo.
                  Observe que o labor não se refere à totalidade do trabalho, mas, apenas, a uma parte, ou seja, a uma tarefa. Tarefa esta, que se for desenvolvida por cada trabalhador, em pouco tempo, a obra total estará cumprida.
            É por isso que Jesus diz conhecer nosso labor, referendando aquilo que já houvera dito no passado, está relatado em Mateus 25: 21 e 23. “Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do Teu Senhor.”
                     Assim, Cristo está a dizer ao servo bom e leal que a tarefa foi fielmente cumprida. O servo nem se preocupou com a canseira em meio a tantos dissabores. O serviço foi completado com o trabalho ativo e ágil, como o deve ser aos que têm pressa de estreitar ainda mais as relações de amizade, afeto e amor com Jesus.

PERSEVERANÇA – Apesar, do teu trabalho persistente, da constância em fazer o bem a todo instante e a todos, sendo mesmo até teimoso para não te desviares, nem para a direita nem para a esquerda, fugindo dos extremos perniciosos, sendo inalterável para com a verdade, imutável diante do perigo, incessante no combate ao erro, e até mesmo, invariável diante da morte, necessitas ainda assim, nutrir a virtude da paciência, sem a qual, não verás o Reino de Deus.
                  Observe atentamente a recompensa que Jesus oferece àqueles que são perseverantes, está registrado no verso dez, do capítulo três de Apocalipse, descreve assim: “Porque guardaste a palavra da Minha perseverança, também Eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.”

                        Por se tornarem vencedores na experimentação de Deus, e passados sobranceiros na hora da provação, são tidos por aprovados. Deverão, então, guardar a sua conquista, para que ninguém tome a sua coroa da vitória. Confirme em Apocalipse 3: 11. “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” 
                  Esta é a nossa expectativa, é também o nosso desejo para toda pessoa que esteja envolvida em divulgar as boas novas de Jesus para este tempo!  

sábado, 11 de janeiro de 2014

IDE - As Sete Igrejas

CAPÍTULO II

AS SETE IGREJAS
  Educador Glauco César

NOTA DO ARTICULISTA -  Veicule nesse blog, seu artigo sobre esse mesmo assunto, remetendo seu texto para o e-mail janelaprofetica@hotmail.com
        Uma vez que uma determinada opinião é postada, e outra sobre o mesmo assunto também é veiculada, abre a oportunidade aos leitores de entrar em contato com vários entendimentos e, assim, concordar ou discordar das mesmas, enriquecendo desta maneira, seu cabedal de conhecimento.



                
                 Jesus Cristo, através do timbre da voz do anjo Gabriel, revelou para João, os mistérios de Deus.
                O Criador pede para que o vidente de Patmos escrevesse num livro, as graciosas mensagens do Apocalipse, para que o mundo agonizante pudesse respirar o clima de confiança em conseguir o que Deus deseja para a humanidade e, pudesse reter a atmosfera de certeza, dum amanhã feliz.


                              Todo ser, que tiver o coração inteiramente voltado para fazer a vontade de Deus, sentirá um antegozo do governo celestial.
               A Verdade, a cada instante, ocupará os espaços vazios da mente do diligente pesquisador apocalíptico, capacitando-o a compreender os ensinos que promanam do Trono Universal.
                   Após João ter visto todas as coisas que brevemente deviam acontecer e ter escrito num só livro, ele é instruído a enviar às sete igrejas que se encontram na Ásia Menor, a moderna Turquia.
                   Essas mensagens às igrejas foram escritas para todo ser humano, em todas as épocas, desde o primeiro advento de Cristo até o Seu retorno em glória!
                Sabemos que o Apocalipse é a revelação das “coisas que brevemente devem ocorrer” Apocalipse 1: 1.
                       Informações das coisas que o Pai desejou levar ao conhecimento de Sua igreja, tanto a institucional quanto a pessoal, não somente da Ásia Menor, mas de todos os locais e períodos, uma vez que o número sete significa plenitude, e simboliza o fato de que as mensagens se estendem até o fim do tempo, e se cumprirá num futuro imediato, bem como no futuro eterno.
               Desta maneira, não só o Apocalipse, como a narrativa das sete igrejas em particular, esboça e descreve em rápidas linhas, a grande e milenar controvérsia entre a mensagem verdadeira e a falseada, que induz, em toda a Era Cristã, a humanidade ao erro ou ao acerto, desde o tempo que compreende a Igreja Apostólica até àquele tempo descrito como a Igreja que bradará em exclamação o grito da vitória final.
                       Portanto, as sete igrejas, simbolizam a história de toda a igreja universal em sete fases ou sete classes de cristãos.
                  As sete igrejas estão distribuídas ao longo da estrada imperial da Ásia Menor. Esta estrada aparece como símbolo da grande alameda ao longo do tempo, pela qual a igreja tem viajado, para no seu final, encontrar o Arquiteto do Universo.
                        No limitar de cada carta há um gracioso apelo da Divindade que enuncia: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Apocalipse 2: 7, 11, 17, 29; 3: 6, 13, 22. Conclui-se que as mensagens das cartas são aplicáveis a todas as pessoas, em todas as épocas, e em todos os lugares, principalmente para nós, hoje, pois temos ouvidos para ouvir o que o Espírito preceitua a igreja da atualidade.
                    Passemos, então, ao estudo destas cartas, ouvindo o que o Espírito Santo mostra para as igrejas, dando atenção à Palavra de Deus, obedecendo as Suas recomendações, sendo sensíveis aos Seus ensinos.

CARTA À IGREJA EM ÉFESO





¹ Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas cousas diz Aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:
2 Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;
3 e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.
4 Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
5 Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.
6 Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais Eu também odeio.
7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.

                    Haveremos de compreender melhor essas cartas, se tivermos por pano de fundo, informações sobre as cidades a quem primeiramente foram enviadas.
          Semelhantemente, tendo por papel de parede informações sobre as igrejas e conhecendo um pouco do ambiente em que viviam os membros dessas igrejas, encontraremos um novo significado para muitas das expressões, ali contidas.
                  O certo é que estas sete igrejas foram escolhidas por Jesus, pelo fato de suas necessidades espirituais e condição em geral, muito se assemelhar à situação das diversas partes da igreja universal, daí ser representativa das pessoas, em qualquer tempo da história, compreendido desde o estabelecimento da Igreja através de Cristo, até o seu retorno majestoso nas nuvens, ao lado do Todo Poderoso.

CONHECENDO HISTORICAMENTE A CIDADE DE ÉFESO

                  A cidade de Éfeso estava situada na costa ocidental da Ásia Menor, na embocadura do rio Caÿstre, a poucos quilômetros do mar Egeu, próximo à costa do Mar Mediterrâneo.
            No continente, a cidade localizava-se no extremo ocidental da grande estrada, que atravessava a Ásia Menor, desde a Síria. Nesta localização geográfica desejável, fez dela um ponto focal de comércio.
                No seu apogeu, Éfeso teve a honra de ser uma das maiores e mais importantes cidades do mundo oriental durante o período do Império Romano.
          O nome Éfeso significa “desejável”. A cidade foi edificada no século XI a.C., num ponto geograficamente desejável.
              Este complexo demográfico tem sido chamado “Cidade mutável” ou “Cidade de mudança”, em virtude do caráter instável do sítio em que estava edificada. Estando, por isso mesma sujeita a grandes mutações geográficas, isto como resultado dos muitos terremotos a que estava passível!
                     Aquela urbe podia vangloriar-se de possuir um dos mais belos portos da Ásia Ocidental. Devido aos terremotos, o lugar de seu outrora famoso porto é hoje uma praia semelhante a uma lagoa, inútil para os navios. O porto foi abandonado no quarto século a.D.
            Éfeso alcançou ser a cidade comercial mais importante da Ásia Menor, sendo considerada ‘um dos olhos da Ásia’.
                Nos dias de seu apogeu era uma cidade bem edificada e de edifícios de apreciáveis proporções. O teatro comportava de 24.500 a 30.000 pessoas; o estádio era de 210m de comprimento por 62m de largura, se destacavam ainda os edifícios da grande biblioteca bem como do Fórum.
                         A cidade era adornada com templos formosos, e ali estava a sede do culto à deusa Artemisa, chamada Diana pelos romanos, cujo culto estava associado à degradante licenciosidade.
                        Alguns historiadores dizem que, o Artemisião, o Templo de Diana foi originalmente construído em 480 a.C., outros, asseveram ter sido edificado no ano 620 a.C.
                    O templo foi destruído por um incêndio em 35 a.C., segundo alguns historiadores, outros, porém, dizem ter sido destruído pelo fogo na noite do nascimento de Alexandre, em 356 a.C.
                         Toda a Ásia contribuiu para a sua reconstrução em mármore puríssimo; de cores diversas, tais como: vermelha, azul, amarela e branca, tendo sido gasto segundo alguns historiadores 120 anos, e, outros 220 anos para ser reconstruído.
                       Conta-se que a sua arquitetura era notabilíssima e de grande riqueza que Alexandre o Grande em vão ofereceu os espólios de suas campanhas orientais em troca da honra de ter seu nome gravado nas colunas do templo da deusa. Outros historiadores dizem que Alexandre ofereceu-se para reconstruí-lo a suas próprias expensas, mas a honra foi recusada. O certo é que o templo tornou-se então uma das sete maravilhas da antiguidade.
                      Através de sua história a cidade de Éfeso passou às mãos de vários conquistadores. Os jônios a tomaram no século XI a.C. e fizeram-na capital da Jônia. Cresso a submeteu em 555 e, com o correr do tempo, passou a pertencer a outros senhores. A cidade, porém, encontrou o seu fim.
                      Um terremoto a danificou seriamente em 29 a.D., sendo reconstruída por Tibério. Os godos, em 260, destruíram em parte, o famoso templo de Diana, tendo os citas, em 263, acabado de destruí-lo definitivamente. Constantino destruiu a cidade que ainda sobreviveu. Hoje, porém, não restam de Éfeso senão ruínas de vasta extensão, distinguindo-se claramente suas grandes obras que lhe deram em outros tempos fama e grandeza raramente igualada.

CONHECENDO A IGREJA DE ÉFESO




               Por não acharem respostas lógicas para alguns enunciados, propostos principalmente pelo Apocalipse, alguns estudiosos menos preparados, recorrem ao artifício de justificarem seu despreparo, fazendo uso de versos que ao serem manuseados, sugerem o não envolvimento do fiel pesquisador, com o problema proposto.
                 Fazem, geralmente, aplicação da declaração contida no livro de Deuteronômio 29:29 que descreve: “As cousas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.”  Querendo, desta maneira, afirmar que Deus quer nos deixar  alheio àquilo que Ele mesmo revelou, pois, se o assunto foi ventilado nas Escrituras, é por ser, de suma importância para Deus e, sobretudo para nós.
                    Nunca se deve esquecer que “Toda Escritura Divinamente inspirada é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. II Timóteo 3: 16 e 17.
                     Se por ventura, alguma parte da Revelação, se nos apresenta de forma não bastante clara, ou enuviada, busque do Revelador o entendimento, lembrando-se que Ele revela a quem quiser, e na maioria das vezes a iluminação chega aos receptáculos mais humildes, pois, os pequeninos por não nutrirem a amizade com o mundo, tornam-se amigos de Deus e de Cristo.
                  Assim, Jesus tem dado a conhecer os Seus mistérios, na maioria das vezes, aos seus ‘pequeninos’ amigos.
                    Coisas que os reis e profetas desejaram conhecer e entender e não lhes foi permitido, contudo, àqueles que se fizerem amigos de Cristo, haverão de ver, ouvir e sobretudo entender. Confirme em Lucas 10: 21, 22 e 24. “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas cousas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. Tudo me foi entregue por Meu Pai, Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai; e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Pois Eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram”.
                     Esse verso sugere em seu bojo, uma nova inquietação! Será que Cristo revela Suas verdades somente a alguns a quem Ele escolhe, ou Ele tira o véu a quantos, diligentemente, procuram o entendimento?
         João, o discípulo amado, mais uma vez se faz instrumentalidade do Revelador, relatando as palavras do Filho de Deus, descritas em João 15: 15, onde desmistifica esse novo entrave. Está narrado assim:  “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigo, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho dado a conhecer”.
                      Conheçamos, no entanto, um pouco sobre a Igreja de Éfeso.
                           Para compreendermos melhor a mensagem de Deus contida nas sete igrejas, precisamos levar em conta o contexto da história da igreja cristã, desde o século apostólico, perpassando pelo tempo presente, indo o seu envolvimento até o retorno de Cristo e vinda de Deus.
                        Agindo assim, notaremos como cada mensagem trata dos problemas específicos de determinados períodos, que nos auxiliam na compreensão da Verdade Presente e das necessidades espirituais da igreja mundial de hoje. Desta maneira, cada mensagem se aplica também a cada um de nós individualmente.
                  É provável, que Éfeso foi mencionada no Apocalipse como a primeira igreja, devido sua importância como cidade, pois, era a capital da província romana da Ásia, e residência dos procônsules, que eram os antigos magistrados romanos, com poder para governar e distribuir a justiça nas províncias.
                             A Igreja em Éfeso foi a primeira comunidade cristã estabelecida por Paulo na Ásia, no ano 52 a.D.
                             Conforme a tradição, o apóstolo João, fixou-se em Éfeso após a destruição de Jerusalém, no ano 68 ou 70 a.D., durante a guerra judaico-romana, tendo se tornado líder da congregação, e de lá foi deportado para Patmos, provavelmente entre 96 e 98 a.D.
                   O sentido simbólico do nome, desejável, favoreceu a escolha de Éfeso para representar a igreja primitiva ou apostólica.
                   Paulo estabeleceu em Éfeso, entre pessoas de viço inabalável nos ensinos de Cristo, reuniões onde era florescido o amor aos ensinamentos do Mestre.
                   João, o discípulo amado, ali viveu e ensinou algum tempo. A carta de Cristo dirigida ‘ao anjo da igreja que está em Éfeso’, não se relaciona somente com a igreja de Éfeso na Ásia Menor, mas, principalmente, com o primeiro período da igreja cristã, a igreja apostólica, que se estendeu desde o ano 31 até o ano 100, ao morrer o apóstolo João, a última testemunha pessoal de Jesus.
          Por estar situada na proximidade do Mar Mediterrâneo, faz com que Éfeso possua um clima relativamente suave, por isso mesmo os seus moradores desfrutavam de um clima agradável durante todo o ano. É isto figura, de que no período apostólico, a igreja, na pessoa de seus membros, refletia a suavidade da atmosfera celestial.  
                      Éfeso significa ‘desejável’. E em verdade a cidade de Éfeso estava localizada numa ‘ambicionável’ posição geográfica. Esta palavra descreve fielmente o caráter e a condição espiritual de cada pessoa da igreja cristã em sua primeira etapa.
                 Por muitas razões era a igreja apostólica ‘apetecível’ aos olhos de Deus:
1.     Foi estabelecida diretamente por Cristo, antes dEle subir ao céu, cujo ‘anjo da igreja’, seus primeiros mestres, vazios de ambições e sabedoria mundanas, aprenderam pessoalmente do ‘Pão da Vida’;
2.     Era fiel aos princípios fundamentais da sã doutrina ensinada por Cristo;
3.     Possuía o poder sem limites da Chuva Temporã – o Espírito Santo com Seus maravilhosos dons;
4.     Não faltaram em si grandes profetas;
5.     Maravilhosas obras de extraordinário poder eram manifestas em seu meio;
6.     Deu o mais fiel e eloquente testemunho em favor do Salvador;
7.     Suas obras missionárias eram inigualáveis e grandemente extensivas.
                     Sim, Éfeso, a igreja dos apóstolos, era deveras ‘desejável’, isto descreve o caráter e condição da igreja no seu primeiro estado.
                        Apesar de que a igreja de Éfeso seja uma alusão às pessoas do Período Apostólico, nada impede que a igreja de hoje, eu e você, tenhamos os atributos dessa igreja desejável! Esse, por sinal, é o desejo do Revelador, Jesus Cristo!
                 Os cristãos primitivos haviam recebido a doutrina de Cristo em sua pureza.  Eles gozaram os benefícios e bênçãos doadas do Espírito Santo. Eram notados pelas suas obras, trabalho e paciência.
                  Fiéis aos puros princípios ensinados por Cristo, não podiam suportar os que eram maus, e punha à prova as falsidades que, por ventura, os apóstolos viessem a desenvolver, examinavam, portanto, os seus verdadeiros caracteres e, achando algum deslize o denunciavam como incorreto.
               Isto era feito pela igreja cristã como um todo, naquele período, e essa era, aliás, uma obra que refletia, naquele tempo, o real propósito de Cristo para todas as épocas.
                        Naquele período desejável, os obreiros tocavam a obra avante com ímpeto. O mundo incrédulo, mas, sobressaltado, ouviram, a razão da certeza dos cristãos.
                      Éfeso tem sido chamada ‘cidade mutável’, devido ao seu caráter instável em que estava edificada. Ela podia perfeitamente representar o início da Era cristã, pois nenhum período na História testemunhou mudanças mais drásticas no pensamento humano.
                      Nada podia impedir o progresso do cristianismo. Pois, ele nasceu na agitada tempestade, alimentou-se no turbilhão em que o ar se precipita em círculos espiralados para dentro de uma área de baixa pressão, no caso a descrença, e lavou o pensamento dos homens com o Aguaceiro Forte, juntamente com grandes ondas de vento e trovoadas, a Água da Vida!
                          Portanto, Éfeso, a cidade mutável, simbolizava essa época em que houve enérgica mudança no pensamento e nas ações dos homens, iniciava-se, desta maneira, a era do cristianismo!
              Timóteo era, provavelmente, o mensageiro referencial da comunidade de Éfeso quando João estava exilado na ilha de Patmos. Esta igreja, representando as pessoas daquele memorável período, foi elogiada pelo seu inquebrantável zelo. Eram indivíduos operosos, que trabalhavam contínua e arduamente por Deus. Personagens leais às doutrinas; tinham posto à prova os seus mestres. A Palavra de Deus era a norma de fé dos cristãos desse primeiro período.
                      Contudo, o zelo desse povo tão operoso começou a esfriar, o amor a Deus e ao próximo começou a arrefecer e a mornidão espiritual a penetrar na igreja.
                   Eles, com certeza, em algum determinado instante deixaram de dar crédito a esta admoestação:”Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia.”  I Coríntios 10: 12. E eles caíram!
                    Os pais da fé foram martirizados, em seus lugares, tomaram os postos, obreiros jovens. Estes, porém, introduziram na igreja, pontos doutrinários agradáveis, mas, distantes da pura verdade de Cristo.
                    Já nesse tempo, o antigo amor era substituído por confusão e contendas, levando os cristãos, a desviar de Jesus o seu olhar. Agindo assim, perderam a primeira piedade, e o amor de Deus.
                   Quando João estava desterrado na ilha de Patmos, escrevendo as cartas para as igrejas da Ásia, Timóteo, era, provavelmente, o principal mensageiro ou ‘anjo da igreja’ de Éfeso.
             O período que a igreja de Éfeso representa, sob alguns aspectos, apesar de ter abandonado o primeiro amor, pode ser denominado; A Idade Da Pureza Apostólica.
               Foi naquele período que a Igreja, mais se assemelhou à Perfeição. As pessoas possuíam um caráter digno de ser seguido, por isso mesmo, eram desejáveis aos olhos de Deus.

                            No início daquele período, todos os apóstolos ainda viviam como testemunhas oculares da experiência com Cristo, eles podiam guiar e aconselhar os novos líderes, mas, no decorrer daquela época, pouco a pouco esses companheiros do Mestre foram sucumbindo, voltando ao pó de onde vieram!
                  O limitar daquela fase acontece quando o Discípulo Amando, que foi o último, dos doze seguidores de Cristo a devolver o fôlego a Deus, de quem recebera, pondo termo à sua vida, que coincide com o fim da era 'efésiana'!
                 Por tudo isso, faz desse primeiro período, desejável, em relação aos outros. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Janela das Reflexões - Reflexão Sensata

REFLEXÃO SENSATA
Educador Glauco César




Durante uma vez ao menos, possamos direcionar nosso pensamento, ao Criador, na derrocada final do espaço de tempo gasto pela Terra numa translação completa em volta do Sol.
 Peçamos que em cada dia represem nas docas da nossa mente as benesses que  são comuns Àquele que assentado está no Trono de Domínio Universal.
Colhamos do Grande Agricultor da Paz,  Seu fruto: Compreensão, harmonia, união e, sobretudo amor. Deixemos que o Manto da Paz repouse Seu olhar protetor sobre nós. Portanto, nunca O impeça.
Aprendamos dEle  o que é fraternidade,  estejamos dispostos a agradecer pela doação do Seu Filho, o único capaz de capacitar-nos para o bem.
Sejamos agradecidos, pela presença dEle em nós, por fazermos dEle nossa trilha na senda da qualidade.

Pois, sabemos, que somente Deus, o Pai, tem eterna eternidade, e que  o próprio Filho, Jesus, um dia padeceu, trocando a Sua vida pela morte. Revertendo, igualmente, a morte em Vida,  recebendo do Pai toda plenitude, por ter vida nEle mesmo.
Igualmente, aprendamos a agradecer não somente pelo que é primariamente essencial ou fundamental. 
Agradeçamos por aquilo que ainda não compreendemos; pela escuridão que oculta um novo amanhecer, fazendo toda a criação desentorpecer, estimulando-a para a vida.
Agradeçamos pelo ano que se finda, estejamos igualmente agradecidos por outro que ainda não chegou.
Deslumbremos por estarmos mudos, pois o silêncio nos conforta e apaga as tristezas d’alma.
Sejamos reconhecidos até pelo desprazer, pois nos dá o entendimento que; só Deus é o Verdadeiro  Amor.
Deus faz-nos agradecidos mesmo em meio a dor, quando ainda estamos vertendo lágrimas, e o nosso chorar ajuda-nos a divisar a alegria celestial, pois, só percebemos o refrigério após ter passado pela experiência do desespero.
Agradeçamos também por haver destruído os nossos maiores inimigos, tornando-os nossos amigos.
Agindo assim, a violência acabará e em seu lugar será enxertada a harmonia.
Agora, podemos respirar vida e paz no coração, pois Deus se faz certeza de um grande amanhã.
Jesus se faz e se fez criança para dar-nos um futuro, uma nova criação, num mundo melhor, igual ao que no Princípio fizeste.
Que possamos  escolher-Te, pois, a Divindade já nos escolheu.
Que cada um de nós possa acolher-Te nas malhas do nosso entendimento.
Esta é a minha singela mensagem para você, meu amigo leitor, neste novo ano que agora desperta! 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Janela das Reflexões - O CÉU DESCEU ATÉ NÓS

O CÉU DESCEU ATÉ NÓS
Educador Glauco César





Surgiu a Luz!
        Transborda-nos o sentimento de paz na plenitude de nossos mais íntimos anseios.
        Emerge do mais profundo do nosso ser a certeza que Deus está conosco.
         Nasceu Jesus!
   Impulsionemo-nos a uma íntima reflexão individual, para a necessidade de voltarmos a possuir o lampejo da esperança e da certeza do novo amanhã, repleto de carinho e da atmosfera celestial.


               Jesus é Deus conosco!
            Por isso, evola em cada coração o sentido de alegria que gera o verdadeiro sorriso que lança em cada olhar carente e perplexo, um motivo para a união com os semelhantes e o Criador, num ardoroso abraço de paz e fraternidade.
             Agora, é tempo de firmar as alianças da perenidade de amor, com as pessoas que passaram em nossa vida, as que ficaram, e as que preferiram se distanciar.
            Que todas elas sejam iluminadas pela claridade do Rei, e se enterneçam com os sons maviosos dos acordes angelicais. 
               É hora de se presentear a Deus em oferta voluntária, santa e agradável ao Criador.
                Se neste ano, sua vida foi só decepção, lembre-se ao menos dum momento em que você se sentiu feliz, assim, você terá descoberto a Cristo. Faça daquele momento a sua meta, e com a ajuda do Maravilhoso Conselheiro, tente perenizar aquele que foi o seu encontro com Deus, e descubra o tipo de vida que Deus está lhe propondo.
             Aos poucos verás que sua meta de felicidade será atingida, e, seus ideais serão plenamente realizados.
            Agora é tempo de Natal, agora é tempo de Jesus nascer cada manhã na manjedoura do seu coração.
                     Agora é tempo de perdoar aos que o magoaram, e verá o perdão dos que foram ofendidos por você.
             É tempo de harmonização de litigantes com as pessoas desavindas.
                      É tempo de perdão e união.

                      É tempo de Natal!... É tempo de Jesus!...

sábado, 14 de dezembro de 2013

Janela do Tempo - RELEMBRANÇA... QUÃO DOCE RECORDAÇÃO!

RELEMBRANÇA... QUÃO DOCE RECORDAÇÃO! 
Educador Glauco César




Aqui, na tranquilidade de minha casa, desfrutando do movimento oscilatório de minha rede, uma espécie de leito balouçante, feito de tecido resistente de algodão e pendentes pelas extremidades terminadas em punhos, presos em ganchos, colocados em duas árvores, um abacateiro e uma goiabeira, que plantei, faz muito tempo, em meu jardim, tento afugentar o enfado que causa em mim um enorme tédio!

De quando em vez, uma rajada forte de vento que joga para longe a sensação de abafo e calor, trazendo, na volta do balouço, uma tristeza que aperta o coração...
Tento reclamar com alguém para poder desanuviar essa emoção, mas, percebo que não tenho nenhuma companhia, a não ser o trato íntimo que trago em minhas lembranças!
Então, quebro o silêncio da tarde e começo a dialogar com minhas recordações!
Vejo, não muito longe, algumas crianças comentando, no outro lado do muro, que eu tinha enlouquecido, pois, elas não entendiam que a solidão é capaz de fazer a pessoa conversar consigo mesma, sem, no entanto, ter perdido o uso da razão!
 Eu estava apenas fantasiando, dando margem aos caprichos da imaginação!
Ao entregar-me à fantasia e devaneios, pouco a pouco minha mente sintonizava na linha do tempo, quando, na adolescência, juntamente com Salta Caminho, regressamos para a cidade, por haver terminado o período de férias.
Fizemos o trajeto numa agradável caminhada, seguindo a estrada de ferro, encontramos no percurso alguns moradores em carro-de-bois, outros em mulas, tomamos um susto quando a maria-fumaça, fumegante deu um sonoro apito, e, passou comendo terra, levantando poeira, e, de forma irada cuspia uma solução coloidal de uma fase dispersa sólida numa dispersora gasosa!
A grande porção de fumo jogada pela locomotiva, rapidamente desvanecia, só não se evapora as recordações, em minha mente, dos acontecimentos ocorridos nas semanas seguintes!
Naquela tarde chegamos moídos! O cansaço era maior que uma simples fadiga, era como se estivéssemos exaustos de ser criança! Me despedi de Salta Caminho e fui para o casarão onde morávamos!
Eu já estava ansioso para que o próximo dia chegasse, é que começaria o segundo semestre escolar.
Naquela noite, apesar do cansaço, quase não consegui dormir, o dia fora abrasador, por isso a cama permanecia quente, não me lembro a que hora dormi, acho que fui vencido pela fadiga...
A temperatura que me embalou fazendo-me dormir foi a mesma que me despertou! Eu me sentia com a sensação de não ter pregado o olho, por isso, quando Salta Caminho chegou me apressando para ir ao Ginásio, eu ainda estava meio sonolento. Assim, quase maquinalmente peguei os livros, cadernos, lápis, borracha e todo material necessário e, parti com meu amiguinho, rumo ao saber!
- Graveto, o que você está levando para a merenda? Eu estou levando um sanduíche de queijo de coalho! - Comentou meu amiguinho!
Eu, por minha vez, peguei na geladeira uma banana anã, prefiro essa que a prata, é muito saborosa e tem um cheiro que me deixa com água na boca!
Aquele dia foi muito bom, me traz boas recordações!
Alguma coisa diferente estava acontecendo comigo, relutei em contar para Salta Caminho.
Eu não poderia mais me conter, é que de uma hora para a outra as meninas estavam subindo em meu conceito!
- Salta Caminho, você viu a trança de Mariazinha?
- Por acaso sou cego? Claro que vi!
- Eu não tinha percebido nas ferrugens do rosto de Rosinha! - Comentei!
- Pois se prepare, de hoje em diante você vai querer ficar mais com as fulustrecas que mesmo comigo!
- Por mais que me agrade os trejeitos das dondocas, nunca você deixará de ser meu melhor amigo!
- Sei não! – Comentou Salta Caminho!
Os dias foram passando rápido como o trem nos trilhos! Até que um dia a locomotiva parou numa estação que eu ainda não conhecia, a Estação dos Sentimentos!
Essa foi uma das experiências mais confortadora que senti em toda minha vida, aconteceu exatamente no aurorescer da minha adolescência, quando começaram a fluir sentimentos que eu não sabia expressar em palavras.
Já são decorridas algumas décadas, no entanto, quando rebusco na sede das minhas recordações, sinto fervilhar a mesma disposição afetiva em relação àquela emoção, que na verdade era um misto de apego e melancolia, num sentimento estranho, que até então, a mim era desconhecido! Incomodava, mas era gostoso de sentir.
         Eu não sabia o porquê, mas aquele estado de ânimo provocava uma reação intensa e breve em meu organismo.
Era algo totalmente inesperado que vinha acompanhado dum estado de afeiçoamento dedicado que, ainda latente e reprimido, transformava-se em angustia afetiva com conotação, que eu não sabia definir, se penosa ou agradável!?
Aquele sentimento estranho era o desabrochar do amor no coração adolescente e ingênuo, que acumulava apenas quinze anos de idade!
Só sei que tudo isto ficou gravado, para sempre, no meu entendimento!
Como aconteceu? Lembro-me perfeitamente!
Eu era um adolescente preocupado com meu futuro, por isso mesmo, me dedicava aos estudos!


No casarão em que morávamos, havia no quintal um banheiro, uma escola de dactilografia, mais três quartos. Todos os ambientes nomeados, para identificá-los.
O sanitário, era a casa de Zezinho, a escola era o Instituto Presidente Vargas, já o quarto menor era denominado de sapateira, os outros dois, um era o quarto da empregada e o outro era identificado como o quarto de estudos.

Foi justamente no quarto de estudos, que tudo iniciou! Eu estava no quadro-negro estudando com alguns colegas de classe, quando de repente, chega Grassenta, uma amiguinha que morava ao lado, pessoa muito dada, sempre cultivando um belo sorriso, que harmonizava com seu olhar de lume castanho, externando uma expressão de doçura, que realçava sua postura gordota e, sem toscanejar me pergunta: - Graveto, você tem namorada no colégio? Pois, na rua em que moramos eu sei, você não tem!
- Para não me revelar um tagarela, apenas maneei a cabeça, indicando que não! Ela, então, servindo de intermediária, demonstrando toda sua capacidade de alcovitagem, me faz ver, que certa fulaninha, que morava na mesma rua, estava interessada por mim!
  Dei de ombros, como se a seta do cupido me não tivesse atingido! Percebendo minha reação, a tal alcoviteira, como se não tivesse atingido o alvo, dá um sumiço do quarto de estudos!
Ao me despedir dos colegas, fui levá-los até ao portão. Salta Caminho, percebendo a minha resistência psicológica e íntima àquele sentimento, que para mim era novo e desconhecido, segue com os colegas e, me deixa sozinho, parafuseando meus pensamentos a ponto de quase me matusquelar.  
O dia estava cálido. O sol ardente fez com que eu fosse até a amoreira e degustasse algumas amoras, levantei um pouco a vista e fiquei tentado a subir no pé de siriguela, um fruto avermelhado e sumarento, semelhante ao taperebá ou cajá, porém, muito adocicado.
Estando ali, sentado num galho dessa imponente árvore, me deliciando com a suave brisa, que, de quando em vez me refrescava!
Foi quando uma rajada quente de vento balouçou os galhos, que quase me desequilibra, momento em que tive uma visão que jamais me esquecerei.
Vi, com esses olhos que a terra haverá de comer, pedalando em sua bicicleta, passeando em minha calçada, aquela menina, que nutria sentimentos por mim.
Ela parou em seu trajeto, olhou para cima, deu um sorriso desconfiado, um tanto inibido e quase brejeiro, então, montou em sua bicicleta e voltou para sua casa!
Aquele sorriso, desprendido por aqueles belos lábios, úmidos e entreabertos, que nada pronunciaram, até hoje, falam aos meus sentimentos!
Bons tempos, aqueles!
Foi ali, naquela árvore, que o deus alado do amor, com os seus olhos vendados e, munido de arco, flecha e aljava, me atinge certeiramente, com a sete flamejante do sentimento ardente da paixão!
Foi o bastante, para que caísse a ficha do amor!
Desci rapidamente da árvore, olhei para um lado e para o outro, fiquei desconfiado, com uma ânsia insaciável de abocar qualquer coisa, comi várias siriguelas e um punhado de amoras que, algumas caíram de minha boca, manchando minha camisa branca.
Meus olhos corriam em direção a casa daquela menina, quase saindo da órbita ocular! Algo estranho estava acontecendo comigo, e eu não sabia me conter!
Um canto de alegria e regozijo desprende dos meus lábios, como se nascesse, naquele instante, a cantata e, ressuscitasse a antífona, em louvor ao sentimento maior!   
Em seguida, com as rédeas do pensamento, soltas, como que bailando, ao som mental da melodia dos apaixonados, criei a figura majestosa de minha musa, como uma deusa, com as feições daquela menina, que me inspirava e fazia sonhar acordado!
Surge um problema, que pouco a pouco ia minando minha confiança e, gradualmente eu via minha autoestima se arquejando e, sem que eu pudesse deter, foi lentamente me abatendo.
Contudo, cada vez que eu via aquele sorriso, ele redobrava meus sentimentos, que não permitia que eu esmorecesse e nem expirasse aquela afeição!
Uma coisa era certa, eu poderia ter todas as virtudes, mas, decisivamente me faltava a que eu mais necessitava, ser um bom galanteador!
Fiz de tudo para revelar àquela menina os meus sentimentos, contudo, a língua me ficava pesada, a ponto de não saber dizer... Amo-te!
O tempo foi passando e, cada vez a situação ficava mais incômoda para mim. Foi quando, certo dia eu decidi que, daquela noite não passaria! Era tudo ou nada, satisfação ou desilusão!
Como todas as noites, brincávamos na rua de nossa casa, imaginei que na brincadeira, eu teria oportunidade de conversar com aquela menina!
Não pedi ajuda para ninguém, sequer falei para Salta Caminho sobre a minha situação, uma vez que não sabia se meu amiguinho me auxiliaria ou caçoaria de mim!
Para quebrar o gelo, comprei um saco de pipocas, para assim começar a conversa, no momento oportuno, com a pretendida...   
Naquele dia, parecia que as horas estavam emperradas, o dia caminhava preguiçoso e morosamente, a ponto de querer empurrar o sol e tentar puxar a lua, para a noite chegar mais rápida, tamanha era a minha expectativa!
Até que, finalmente, chega a tão esperada noite!
Na janta, não consegui tomar sequer uma vitamina! Minha mãe ralhou comigo, em tom de admoestação, procurando entender o que se passava!
Senti um grande aperto no meu coração, levantei-me apressadamente, corri para a calçada, e fiquei pacientemente olhando em direção da casa daquela menina, esperando pela visagem do amor!
Chegaram alguns amigos e falaram comigo. Salta Caminho percebeu que meus olhos estavam hipnotizados em direção ao infinito, como que imaginando receber o sim, de quem tanto eu amava!
Naquela noite, a brincadeira era para não deixar a bola de vôlei cair. Quem deixasse cair, sairia da roda!
Não sei se propositadamente, aquela menina deixou a bola cair. Eu vi nesse fato, a oportunidade de que eu tanto aguardava.
Providenciei, de forma intencional, meu erro, para assim, sair da roda, então corri e peguei o saco de pipocas, que eu houvera deixado dentro de um carro velho e antigo, que chamávamos de pacar. Sentei-me ao lado daquela menina, no meio-fio e, comecei, então, a colocar em prática o meu plano!
Com extrema ansiedade abri o saco de pipocas, peguei uma pipoca e levei em direção aos lábios daquela menina!
Imaginei dizer tudo que eu houvera ensaiado, horas a fio, para ouvir dela o aceito!
No entanto, só consegui dizer: - É, não é? – Ela então me respondeu: - É!
- Por minha vez, eu retruquei: - Pois é!
- E não consegui dizer mais nada! Daí pra frente, não conseguimos mais dialogar! Ela comeu todas as pipocas, ao passo que eu ficava cabisbaixo!
A primeira rodada da brincadeira havia acabado, por conseguinte voltamos a participar da roda!
Assim que a bola chegou às minhas mãos, rapidamente e sem refletir, joguei-a em direção dela, que sem pestanejar e com rapidez impulsionou-a para mim.
Dessa maneira a bola ficou viajando, num movimento de ida e volta, num mesmo percurso, de mim para ela, e dela para mim!
Todos os nossos companheiros nos olhavam e não diziam nada!
Até que, um determinado senhor, que por ali passava, observando e entendendo o que estava acontecendo e, percebendo toda a minha dificuldade, toma uma decisão, que para mim, naquele momento, era drástica, mas muito bem vinda e aguardada!
Ele se meteu no meio daquele jogo, segurou aquela bola, olhou fixamente para a mesma e disse: - Esta bola é o meu coração, e irei entregar à pessoa que mais amo!
- Em seguida, ele colocou a bola em minhas mãos e disse-me: - Toma, entrega para ela!
- Fiz, exatamente, o que aquele senhor mandou! Podem ter certeza, aquele foi o mais feliz e emocionante instante de minha vida, que até hoje guardo como lembrança inalterável nas minhas reminiscências!
Na manhã seguinte, procurei saber de Salta Caminho quem era aquele distinto senhor que me ajudara em minhas limitações, e que de maneira tão singela colocou as palavras certas, no momento exato, nos meus lábios, me deixando leve como as plumas, para alçar o vôo dos sentimentos nobres!
Salta Caminho, o melhor de meus amigos, me respondeu que não tinha conhecimento, só que senti em sua voz uma maneira um tanto ríspida! Será que perdi meu amiguinho de tão longo tempo?
O certo é que gradativamente ele foi se afastando,  até que, num certo dia, quando regressava do Ginásio, perto de minha casa, avisto Salta Caminho correndo desembestado em direção a minha pessoa e, ofegante me segreda: - Graveto você se lembra de Rosinha? Pois bem, hoje, durante o recreio, tivemos uma conversa séria, e, aconteceu...
- Eu sei, você também foi fisgado pela seta do cupido, o flecheiro, não é verdade?
- Ele sorriu, e como estava apressado para levar Rosinha para degustar um sorvete, se despediu e disse: - Depois a gente conversa, amigo...