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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

IDE - Expiação e a Iniciativa Divina - (Primeira Parte)



EXPIAÇÃO E A INICIATIVA DIVINA - (Primeira Parte)
Educador Glauco César






Quando o relato bíblico faz alusão aos tempos eternos, normalmente está se referindo à época em que só existia a Divindade, nas pessoas de Deus o Pai, do Filho Jesus e no personagem sacrossanto do outro consolador, o Espírito Santo!
Naquela oportunidade não existia a Grande Expansão, nem nada que pudéssemos chamar, conforme o nosso atual entendimento, de Universo!
Só que, o Universo, nunca deixou de existir, pois, por conta da onipresença, tudo existe na Divindade!
Com esse entendimento, podemos definir com algum acerto, a figura da Divindade!
Nesse caso, Deus seria o conjunto de tudo quanto existe, incluindo-se aí, a Terra, seus habitantes, os astros, as galáxias e toda a matéria disseminada no espaço, tomado como um todo O âmbito em que algo existe ou ocorre; o ambiente preferido; a Divindade!
O Universo seria aquilo que se compõe de partes, Pai, Filho e Espírito Santo, que harmonicamente estão encadeados num todo; a Divindade, que tem o domínio moral ou material comparável ao Universo!
Pois bem, foi nesse tempo eterno, descrito no livro das gerações como o princípio, que Deus, por intermédio de Jesus, cria a grande expansão! “NO princípio, criou Deus os céus e a terra.” Gênesis 1: 1
Esse princípio, narrado na Bíblia, remonta a bilhões de anos, quando Jesus, o Verbo, falou e tudo passou a existir, conforme o relato de João, no capítulo primeiro! “No PRINCÍPIO era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele, nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez carne, e habitou ente nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1: 1 – 3 e 14
Como sabemos verbo é a palavra em ação! No caso de Jesus, Ele é o Verbo Ativo! Apesar de que a força, o entendimento, o poder, o desejo fosse de toda a Divindade, só Jesus foi o Verbo Ativo!
Foi Ele quem pronunciou e tudo veio à tona! É justamente por esse motivo que só Cristo, e unicamente Ele, poderia dar a vida para resgate do pecador! Isto por que Ele, de fato é o Criador!
Assim se passaram bilhões de anos, a Terra estava sem forma e vazia, ou seja, apesar de ter a forma geóide, por ser sólida geométrica, forma essa que não é a de uma esfera perfeita, estava inteiramente coberta d’água e vazia de vida sobre ela. ”E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.” Gênesis 1: 2
É interessante notar que nesse período, a camada de ozônio, uma espécie de gás cristalizado de oxigênio, era tão densa, que impedia a passagem dos raios do Sol sobre o planeta, por isso havia trevas sobre a face desse astro sem luz que gravita sobre a estrela solar, de quinta grandeza.
Permanecendo, assim, nesse estado, até aproximadamente, seis mil anos, quando Cristo, o Deus Criador, então, em apenas seis dias, dá condição de vida ao planeta Terra!
No primeiro dia “disse Deus: Haja luz. E houve luz.” Gênesis 1: 3
Ao pronunciar essa ordenança, a camada de ozônio diluiu-se apenas o bastante para a claridade solar penetrar no planeta, iluminando-o!
Dessa forma, a Terra já não era mais o planeta escuro do abismo!
Mesmo assim, a camada de ozônio, um gás azul pálido, muito oxidante e reativo, continuava densa, a ponto de não se divisar o astro rei, que governa o dia, nem o satélite que governa a noite!
Esses dois luminares, só se tornaram visíveis ao quarto dia, quando Cristo torna a camada de ozônio, que é uma variedade alotrópica do oxigênio, um pouco mais rarefeita, permitindo, assim a visualização do sol, da lua e dos demais astros, estrelas, asteróides, e tantos outros objetos espaciais!
Foi exatamente ao sexto dia, que Deus, por intermédio de Jesus, cria a humanidade! “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança... E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” Genesis 1: 26 e 27
Para alguns estudiosos, a Criação foi obra tão somente do Pai, no entanto, a Bíblia discorda desse entendimento, apontando para a pessoa do Filho, Jesus, como o grande Criador! “HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, a nós, falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez, também, o Universo, O qual, sendo o resplendor da Sua glória, e a expressa imagem da Sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, havendo feito, por Si mesmo, a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas.” Hebreus 1: 1 - 3
Ao criar o homem, Cristo coloca no mesmo a capacidade de tomar qualquer decisão, fazer suas próprias escolhas e, principalmente tornar Deus feliz! Capacidade esta, reconhecida como Livre Arbítrio!
É certo que o termo livre arbítrio não se encontra no relato bíblico, no entanto, divisamos ali referências sobre ele!
Como é o caso relatado em Deuteronômio 30: 19 “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas conta vós, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente.”
Como bem percebemos, o chamado livre arbítrio, é uma escolha de cada ser humano!
Essa escolha humana alegra todo o paço celestial! “Digo-vos, que assim haverá alegria no céu, por um pecador que se arrepende.” Lucas 15: 7
Esse verso está relatado tanto na parábola da ovelha, quanto na narração alegórica da dracma perdida! Por estar contida em parábolas, não invalida a condição de Deus como Pai!
E como Ele é um pai de amor, certamente não está satisfeito com a condição de seus filhos humanos! É por isso que, verdadeiramente, quando usamos o livre arbítrio, na escolha do arrependimento, tornamos Deus feliz!
Eu chego até mesmo a imaginar Cristo, se aproximando ao Pai e relatando de Sua alegria, sentindo recompensado o Seu ato vicário, na cruz!
Foi justamente ao fazer mau uso do livre arbítrio, que o pecado adentrou no nosso planeta, vitimando não somente a humanidade, como também todo o nosso sistema!
Para alguns estudiosos da Bíblia, o Plano da Redenção foi arquitetado pela Divindade após a queda do homem, quando este se rendeu ao pecado!
Esses que assim crêem, asseveram que Jesus se ofereceu como vítima pascoal, no entanto, o Pai relutou em aceitar tal determinação!
Conforme esse entendimento, a queda do homem pegou a Divindade de surpresa!
Se de fato aconteceu desta maneira, os três principais atributos da Divindade estariam em xeque; a onipresença, onipotência e, sobretudo, a onisciência!
Existe outra classe de apreciadores que apregoa que o Plano da Redenção foi concebido na mente divina muito antes do pecado, contudo, só foi colocado em prática quando da efetivação deste!
Todavia, baseado na Revelação Divina, no caso, as Sagradas Escrituras, creio mesmo, que o Plano da Redenção, não somente foi concebido na mente divina, como, de fato, foi realizado desde os tempos eternos!
Esse estudo, com certeza, deixará o leitor altamente perplexo, ao perceber que as idéias não são confusas, mas demonstra uma profunda racionalidade, que certamente nos elevará na compreensão dos mistérios de Deus. Isto é estupefato!
Antes de tudo, para se ter um melhor embasamento, é preciso, ao menos saber, o que é expiação?
O Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa, nos informa que é o ato de expiar.
E o que vem a ser expiar? No mesmo dicionário, Aurélio, tem a seguinte definição: É o mesmo que remir a culpa, cumprindo a pena; pagar; sofrer as consequências.
De posse dessa informação, podemos, então, conhecer o texto base deste estudo! “Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nEle, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as cousas, tanto as do Céu como as da Terra.” Efésios 1: 9 e 10.
Esse verso, rico em enunciado, deve ser interpretado de forma não menos rica, com racionalidade e coerência. Ele é aquele tipo de texto, que exige do pesquisador o uso apurado da mente, e, para isso, requer do mesmo, a demanda do emprego de tempo.
A primeira parte do texto versa sobre o mistério da vontade de Deus!
Muitos estudantes deixam de averiguar mais profundamente a vontade de Deus, pois, por ser um mistério é algo, tão somente, inacessível ou incompreensível. Por isso, eles não arvoram entrar num detalhe que pertence tão somente à Divindade.
O que essas pessoas esquecem é que mistério é também um enigma!
Nesse verso em pauta, mistério não pode ser definido como inacessível nem incompreensível, pois, conforme o mesmo é para ser desvendado, sendo, portanto, um enigma, que é uma descrição obscura de uma coisa para ser decifrada.
Façamos, então, uma busca minuciosa para averiguação da realidade!
Para iniciar nossa investigação, primeiramente, precisamos saber qual é, então, o mistério ou enigma da expiação?
 Esse mistério está delineado em Hebreus 9: 22. Tomemos então conhecimento dele! O mistério é que “sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados.”
Essa proposição é bastante concludente, fato que coloca em maus lençóis as pessoas que antedatam ao Calvário, elas estariam irremediavelmente destituídas da salvação!
Nesse caso, se Cristo morreu há dois mil anos, somente as pessoas que viveram após o Gólgota, estariam remidas pelo sangue do Cordeiro de Deus!
Como, então, resolver esse enigma?
É exatamente o que veremos na continuação desse estudo!  Não percam!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

IDE - Encontro com o Filho de Deus




ENCONTRO COM O FILHO DE DEUS
Educador Glauco César



No momento em que o ser humano encontra-se com Jesus, ele imagina que Cristo fará uma série de proibições, ou mesmo, exija um comportamento exemplar, para ter direito à eternidade, essa pessoa, no entanto, surpreende-se com a postura de Cristo!
Ao invés do Filho de Deus se colocar como o único referencial, digno de ser seguido, Ele indica um guia seguro para o pecador.
Talvez, para evitar interpretações dúbias, para não deixar transparecer aos humanos, uma pitada sequer de egoísmo, ao tempo em que elimina também, do próprio ser humano, ou, das organizações destes, a possibilidade de consistir como uma referência a ser seguida.
É interessante notar a profundidade da declaração de Jesus, relatada no livro de João no capítulo 5: 30 – 32 e 34 “Eu não posso, de Mim mesmo, fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o Meu juízo é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a vontade do Pai que Me enviou. Se Eu testifico de Mim mesmo, o Meu testemunho não é verdadeiro. Há outro que testifica de Mim, e sei que o testemunho que  Ele dá de Mim é verdadeiro. Eu, porém, não recebo testemunho do homem; mas digo isto, para que vos salveis.”
O que podemos filtrar numa análise, um tanto superficial, é que Cristo está intimamente informando à pessoa pecadora, que ela não deve estar atrelada às informações humanas nem sequer, dependente das instruções de estabelecimentos de homens!
Para que o pecador possa entender com mais profundidade, Jesus faz ver que, quem testemunha deve fazê-lo de outrem e não de si próprio! Isto nos remete a perceber que, na sua maioria, as denominações religiosas, se colocam mais, como referências, que, propriamente apontam para o referencial que é Cristo.
O Filho do Homem, demonstrando uma humildade ímpar, além de apontar para o Pai, Ele, então, revela para a humanidade, o único guia seguro, em meio aos homens, que indica o caminho a ser seguido, Sua Palavra, A Bíblia.
 “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam” João 5: 39. Arrematando, então Cristo complementa: “Eu não recebo glória dos homens.” João 5: 41. Demonstrando, mais uma vez, ser Ele o único referencial, e não a Instituição Religiosa, como muitos gostariam que fosse!
Quando o Filho de Deus afirma que não recebe o testemunho do homem, Ele, automaticamente esclarece o motivo, o homem, fatalmente não receberia a eternidade, uma vez que, sua confiança estaria depositada na instituição, que é algo humano, ao invés de estar firmada no Cordeiro, que é divino.
Quando o pecador chega até Jesus, e este, arremete-o para a Bíblia, passa a existir uma relação íntima de afeto, entre Criador e criatura, a ponto desta procurar entender, diariamente, a vontade dAquele que os criou, através da Bíblia.
Foi essa a experiência que ocorreu com os moradores da cidade de Bereia, essa deve ser também a atitude de cada pessoa ao ouvir, qualquer explicação sobre a doutrina de Deus, para desta forma, tirar as suas conclusões!
Observe atentamente esse relato: “Ora estes de Beréia foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia, nas Escrituras, se estas coisas eram de fato assim.” Atos 17: 11.
Quando a pessoa não entra, diariamente, em estreito relacionamento com as Escrituras, esse indivíduo, paulatinamente, vai se distanciando de Jesus e, ao invés de refletir o altruísmo, peculiar do Mestre, passa a adquirir o egoísmo desenvolvendo o ciúme!
Esse ciúme embota o entendimento, privando até, de certa forma, que ela veja claramente, sua efetiva condição espiritual! Foi o que aconteceu com João, o discípulo amado, dentre os seguidores de Cristo, talvez, o que mais se identificava com o mestre. Mesmo assim, ele não se viu privado dessa triste experiência!
“E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que, em Teu nome, expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não Te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque, quem não é contra nós é por nós.”  Lucas 9: 49, 50. Que extraordinário ensinamento deixado por Cristo!
Podemos claramente identificar a característica de João, nesse incidente, com a postura das denominações de hoje em dia, acham-se intimamente ligadas com Jesus, arvoram-se como “igreja amada”, no entanto, estão com um procedimento, totalmente exclusivistas!
Precisamos ter bastante cuidado, com nossa postura, pois, somos um com Cristo, nunca, o único que Jesus confia!
O grande problema da igreja egoísta, é que ela está sempre enaltecendo sua organização, sua postura, seu entendimento, sua pessoa, sendo ela própria a grande referencial, e não Cristo.
Os membros de igrejas com estas características estão sempre, orgulhosamente, demonstrando quem ele é, e bradam altíssonantemente: ‘Eu sou’ um fiel membro da igreja, tal... Esse é um grande problema!
As pessoas se preocupam em demonstrar de qual denominação elas são, quando, na verdade, deveriam demonstrar de quem elas são! Quiçá, que todas as pessoas pudessem demonstrar que seguem a Jesus.
Os que não seguem a Cristo demonstram por suas próprias ações, que estão abandonando seu Senhor, retirando, por sua própria escolha, a eternidade, por não mais querer andar com Cristo!
Já nos dias de Cristo este procedimento era comum! “Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com Ele. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também, retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” João 6: 66 – 68.
As denominações não se aperceberam que Cristo é que é tudo em todos, e não elas! Sábia foi a dedução de Pedro, ao reconhecer que somente Cristo, e não a igreja, é o caminho para a vida eterna, como o próprio Jesus esclareceu posteriormente, ao afirmar: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.” João 14: 6.
Com o entendimento que toda humanidade pertence a Jesus, conforme compreensão do salmista Davi, que assevera: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” Salmos 24: 1
Pode-se chegar facilmente à conclusão que toda igreja/pessoa é de Cristo. Sendo, portanto, igreja verdadeira de Jesus, podendo, como é natural, seu juízo em relação às coisas referentes a Deus, estar correto ou, incorreto!
Contudo, Deus, franqueou a todos a oportunidade em Seu serviço, como igreja/indivíduo para apontar para Cristo Jesus, o único caminho de retorno a Deus!
Sendo assim, não existe motivo plausível para se nutrir o espírito de exclusivismo, que tem gerado tanto rancor entre as facções religiosas.
O que se pode observar é que nossos irmãos, de outras denominações, aceitaram a comissão de ir a todos, eles estão, ao modo deles, anunciando para a humanidade carente, a pessoa de Jesus, como a única solução dos problemas que afligem a alma humana!
Ao invés das outras facções religiosas, através de sua irmandade, ficarem agradecidas pelo cumprimento desse dever, eles preferem nutrir um sentimento de pesar e deixam que a inveja tome conta do ser, afirmando até, que esse labor foi em vão.
Por qual motivo é que se insiste em não reconhecer o labor de cada igreja, se o próprio Jesus é quem comissionou e, aceita o trabalho de cada um?
Importante é a declaração de Cristo, afirmando que aceita e espera que cada pessoa/igreja faça o que lhe compete!
Quão deleitoso é, saber que Jesus aceita o trabalho de todos e quer ter a todos junto a Si, e de forma nenhuma Ele rejeita o labor, nem muito menos a pessoa que queira caminhar junto a Ele! “Todo o que o Pai Me dá virá a Mim; e o que vem a Mim, de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6: 37
Assim concluímos que o dever das denominações bem como de cada indivíduo é, basicamente, anunciar ao mudo, a pessoa de Jesus, Ele é tudo e, satisfaz plenamente!
Compreendemos também que cada pessoa será recompensada, não pelo entendimento do bojo doutrinário que defendem, mas somente por aquilo que de Cristo ouvir! “E diziam à mulher (igreja): já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos O temos ouvido, e sabemos que Este é, verdadeiramente, o Cristo, o Salvador do mundo.” João 4: 42.
Concluímos também, que a missão de cada um de nós, é semear ou, conduzir a humanidade até a pessoa de Cristo, o Filho amado de Deus!
Deve-se entender que essa missão é supervisionada pelo Espírito Santo! É esse Espírito que tem a capacidade de convencer a cada um do seu “pecado, e da justiça e o juízo.” João 16:8.
O convencimento, portanto, não é atribuição humana, cabe ao Espírito, porém, o Espírito Santo só realizará a Sua parte, se o pecador permitir, pois, no princípio, Deus dotou o homem de livre arbítrio, e aquilo que Deus dá, Ele afirma: “de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6: 37. Essa é a nossa garantia!
Sendo assim, ninguém é forçado a aceitar coisa nenhuma de Deus, se não o fizer conscientemente: “Não por força, nem por violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” Zacarias 4: 6.
Resumindo, é dever de cada cristão, examinar cautelosamente as Escrituras, para não incorrer no erro descrito por Cristo aos saduceus, quando afirmou; “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” Mateus 22: 29.
Esse é o nosso entendimento! Que assim seja!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

IDE - Comportamento ou Relacionamento?

 COMPORTAMENTO OU RELACIONAMENTO?
Educador Glauco César


        
       Aproveitando, a abertura que o IDE propicia, teceremos algum comentário sobre um tema que achamos ser de capital importância no envolvimento entre humanos e, desses com o Divino, qual seja, “comportamento e/ou relacionamento?”
        No que concerne principalmente à relação do Divino com o humano, há alguns que defendem que Deus requer um comportamento dignificante, em detrimento a um simples relacionamento. Por conseguinte, outros entendem que um perfeito relacionamento, é mais dignificante para Deus, que mesmo um comportamento exemplar!
É óbvio, que todos têm seus motivos para defender um determinado entendimento. E comigo não é diferente, por isso, prefiro fazer uma análise, a mais racional possível, sem se opor a razão que cada um tem.
Procurando estabelecer relações lógicas, até de forma empírica, para compreender o assunto proposto, baseado apenas na experiência, ou mesmo derivado de experimento ou de observação da realidade, para então, chegar a minha conclusão e, assim poder colocar para apreciação de todos.
Comumente a humanidade, em sua maioria, tem defendido o comportamento, mesmo porque é mais visível, pois tem uma aparência exterior, enquanto o relacionamento é algo mais íntimo e de difícil definição.
Desta maneira, fica fácil o engano, quando se toma por base um comportamento, pois, não são aparentes os reais objetivos. Perceba o que diz o sábio Salomão, está relatado no livro de Provérbios 21:2 “Todo o caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações.”
É, exatamente, por não conhecer as reais motivações de cada ato praticado, que a humanidade opta pelo comportamento, acreditando que a conduta seja espelho do caráter, quando, na verdade, nem sempre o é.  
Por isso, acredito mesmo, que Deus enalteça mais o relacionamento que mesmo o comportamento. E tenho uma razão lógica para crê nisso.
Imaginemos um casal que tenha se separado recentemente. Façamos então a idéia de que tanto o marido quanto a mulher tenha tido um comportamento exemplar.
Fantasiemos um pouco mais, e construamos a imagem da mulher arrazoando consigo mesma, procurando entender onde ela errou, pois, desempenhara todas as funções de uma esposa dedicada, não encontrando motivo plausível para sua separação!
Conjecturemos então o jovem marido defendendo o seu argumento e, também chegando à dura conclusão que o rompimento de sua relação matrimonial é algo incompreensível!
Sem querer presumir, na realidade, o que faltou a esse suposto casal, sem sombra de dúvidas foi um relacionamento de amor e de afeto.
É por fatos dessa natureza, que chegamos à seguinte conclusão: um comportamento, por mais dignificante que seja, nem sempre produz um bom relacionamento, ao passo que, um relacionamento afável, gera uma conduta que muda as atitudes e reações do indivíduo, para melhor.
Sabe qual o motivo que nos faz preferir o comportamento e não o relacionamento? É pelo simples fato de não estarmos estreitamente ligados ao pensamento de Deus!
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55: 8 e 9.
Apliquemos, então, tudo que analisamos até aqui, tendo por pano de fundo, a vivência espiritual e comportamental dos membros/irmãos de cada facção religiosa ou denominação.
É sabido, e todos hão de concordar, que as denominações religiosas foram estabelecidas no planeta, como veículo para disseminar a paz. No entanto, nem sempre é esse o resultado colhido.
Se olharmos com critério, facilmente chegaremos à conclusão, que os membros das facções religiosas nutrem desamor e rivalidade entre si, quando deveriam promover o congraçamento.
Isto acontece, pelo simples fato de que cada facção religiosa espera de seus adeptos um desempenho comportamental conforme seus ensinamentos.
Por existir a diversidade de compreensão eles interpretam as pessoas como rivais, pelo simples fato de não agirem de conformidade com um mesmo pensamento ou, entendimento.
Assim, quando se dá demasiado valor ao comportamento atrelado ao entendimento, principalmente religioso, gera uma animosidade ou mesmo aversão constante, que paulatinamente se transforma num grande rancor entre as facções religiosas, ou mesmo entre os membros de uma mesma denominação.
Agindo desta maneira, eles acreditam que estão honrando ao Criador, quando na verdade, estão fazendo um desfavor à reputação de Deus.
O próprio Cristo alertou sobre esse tipo de comportamento. Está registrado no livro de Marcos 7: 6 e 7  “E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens.”
Isto tem ocorrido com frequência, uma vez que os adeptos de uma determinada denominação, até mesmo inconscientemente, dão mais crédito aos anunciantes da Palavra, que mesmo ao autor dEla. Isto porque eles são mais agradecidos aos seus instrutores humanos, que mesmo à mensagem divina. “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído.” Isaías 29: 13.
De certa forma, os que assim agem, apregoam através de seu comportamento, que honram a Deus, quando na realidade, estão se distanciando do mesmo, por não nutrir um relacionamento amoroso e racional!
Se nos encontramos nessa condição, precisamos urgentemente nos conectar a proposta de Deus, para desenvolver um relacionamento com Ele. Uma vez feito isso, não mais nutriremos um sentimento de superioridade em relação aos nossos semelhantes, pelo contrário, nos sentiremos iguais, na mesma condição de dependência a Deus. “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há masculino nem feminino; porque todos vós sois um, em Cristo Jesus.” Gálatas 3: 28.
Uma vez atingido esse patamar de entendimento, temos plena certeza que todas as pessoas, independentemente de seu entendimento ou denominação, estão carentes, por isso mesma à procura de uma mensagem que lhe dê tranquilidade espiritual.
Nesse estado, elas estarão dispostas a interagir uma com as outras na busca do conhecimento. Por esse motivo cada cristão deve ter em mente a seguinte inquietação: que devo transmitir aos meus semelhantes?
É bom lembrar que só existem dois caminhos, o do bem, atrelado a verdade, e o do mal, escravizado à mentira.
As pessoas que normalmente defendem suas denominações e seus mestres, na maioria das vezes, não usam de firmeza racional. Essas criaturas estão tendentes a aceitar a facilidade das falsas promessas humanas, preferindo as ilusões. “Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor. Que dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto: dizei-nos coisas aprazíveis, e tende para nós enganadoras lisonjas. Desviai-vos do caminho, apartai-vos da vereda: fazei que deixe de estar o Santo de Israel perante nós.” Isaías 30: 9 – 11.
Esse é o desejo de muitas pessoas que deliberadamente optaram pelo engano próprio, fizeram o mal uso de seu livre arbítrio, contudo, Deus aceita as escolhas descabidas, no entanto legítimas, de cada um de nós. Lembre-se, aquilo que Deus nos deu, Ele não pede de volta. O Livre arbítrio é nossa garantia, portanto, façamos bom uso do mesmo!
Por outro lado, aqueles que aceitam a incumbência de refletir a luz de Cristo, por conseguinte irão transmitir uma mensagem pautada na verdade. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8: 32.
Somente Jesus, que é a verdade, tem o poder de libertar cada pessoa dos conceitos errôneos das instituições religiosas e, principalmente do desprezo pelos membros e pelas demais denominações, substituindo esse desamor pelo respeito a tudo e a todos, uma vez que essa é a vontade de Deus!
No grande projeto de Deus, no entendimento de Paulo, não há lugar para dissensões ou divergências no tocante aos interesses, apesar da diversidade de opiniões, todas as pessoas são uma em Cristo Jesus.
Como o interesse é só um, cada pessoa deve atender ao ide, que é a comissão proposta por Deus, a cada ser humano. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura.” Marcos 16: 15.
Todos nós sabemos que o ‘ide’ está no modo imperativo, portanto, é uma atribuição que deve ser rigidamente obedecida, contudo não é uma imposição. Quando Jesus instituiu o ‘ide’ Ele o fez com firmeza racional, todavia, repleto de amor dizendo: ‘ide todos vós, por todo mundo, pregai as boas novas a toda as pessoas’.
Assim percebemos que o ‘ide’ é uma atribuição com características específicas, quais sejam: todos pregando a todos.
Se todas as pessoas pregam seu entendimento da Palavra a todo semelhante seu, consequentemente elas irão se deparar com a segunda característica do ‘ide’. Todos ouvindo a todos.
É certo que cada pessoa irá divulgar a mensagem da forma concebida por ela, isto quer dizer, com seus erros e acertos.
Uma vez que toda criatura divulga seu entendimento e, por conseguinte ouve a compreensão de todos, isto com seus erros e acertos, como filtrar essas mensagens? Essa é a terceira característica do ‘ide’: todos retendo somente o que é bom. “Não desprezeis as profecias; Examinai tudo. Retende o bem.” I Tessalonicenses 5: 20 e 21.
O mais interessante nesse verso, é que ele deixa patenteado que todo entendimento, de qualquer que seja a denominação, sempre tem coisas boas para se reter, como também, todas elas têm coisas ruins para ser desprezadas. Ou seja, erros e acertos teológicos! Nenhuma é totalmente errada ou, absolutamente correta!
Nesse ponto de nosso entendimento, já compreendemos qual deve ser a postura de cada ser humano como mensageiro da paz. Entre os atributos de cada pessoa, está o de saber ouvir, para ter vários referenciais que os capacitem a tomar a sábia decisão de reter para si, o melhor.
Mas como fazer isso, se ainda existir dentro da pessoa a barreira da discriminação religiosa? Só existe uma maneira, fazer uso do antídoto que é capaz de demolir todas as barreiras que provocam segregações. Sejam de caráter pessoal, institucional, ou mesmo eclesiástica!
Esse antídoto está disponibilizado no livro de Gálatas 3: 28 “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há masculino nem feminino; porque todos vós sois um, em Cristo Jesus.”
No meu entender, a pessoa descrita neste verso é a maior demolidora das barreiras discriminatórias, uma vez que essa pessoa foi quem criou a todos, e tudo Lhe pertence. Sendo assim, Cristo tem autoridade em Si mesmo para sugerir que não deve haver barreiras entre as pessoas, nem mesmo sobre as denominações!
Isso pelo simples motivo: se todos vieram dEle, a Ele pertencem, são, portanto, um em Cristo Jesus.
Esse é o nosso grande desafio, reconhecer que somos um com as outras pessoas, bem como, com as outras denominações.
Quando reconhecemos que somos um em Cristo Jesus, compreenderemos que Cristo não estabeleceu exclusividade com ninguém!
Por isso, temos de eliminar do nosso conceito a teoria de que a nossa denominação é a única igreja de Deus.
Parece até, que nós temos dificuldade de entender que ser um em Cristo, é totalmente diferente de ser único.
Essa é a interpretação que normalmente damos em relação a nossa denominação. Por isso concluímos: a minha congregação eclesiástica, é a única igreja verdadeira de Deus. Que absurda presunção!
Sendo assim, ser um em Cristo, é totalmente diferente de ser único. Ser único é sinônimo de individualidade, que corresponde a egoísmo. Como temos ciência, o egoísmo é um defeito de caráter que deve ser banido de cada pessoa.
Mesmo porque quando a pessoa se torna egoísta, que é aquele tipo de pessoa que ama a si mesma, ela adquire uma série de outros defeitos que nos distanciam cada vez mais do amor, que é Deus! 
“Sabe, porém, isto; que, nos últimos dias, sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos (egoístas), avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.” II Timóteo 3: 1 – 5.
Se essas características não forem afastadas da pessoa, ela irá encontrar dificuldades para se sentir um em Cristo com as demais denominações, bem como, com seus membros.
Em contrapartida, ser um em Cristo, é sinônimo de coletividade, é ter unidade na diversidade.
A pessoa tem de ter a sensibilidade que todos têm seus defeitos e suas virtudes, compete a cada um, aceitar os demais, com suas imperfeições e sua firme disposição e constante busca para a prática do bem.
Assim, para vencer a animosidade que por certo existe, basta reter somente aquilo que é bom! Agindo desta maneira, se consegue ter unidade na diversidade!
A grande pergunta que cada um deve fazer a si mesmo é: estou mesmo sendo um com Cristo, será mesmo que estou mantendo um relacionamento saudável comigo mesmo, com meu semelhante e com Cristo, a ponto de que minhas debilitadas ações venham a refletir a vontade do Pai, para que as pessoas percebam que Cristo é o referencial, e não eu?
Essas interrogações deverão ser as chaves para o sucesso relacional de cada indivíduo!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Janela do Tempo - O FURTO

  O FURTO  
             Educador Glauco César




Encontrava-me encostado preguiçosa e despreocupadamente naquela frondosa jaqueira, na medida em que observava, à minha frente, as folhas do jamelão balouçando de um lado para o outro, numa estranha coreografia, talvez, em agradecimento pela enxurrada que há pouco houvera acontecido.
Foi muito bonito, no momento que divide na metade o dia alumiado, às doze horas, em meio ao calor estonteante, ver o dia mudar de rumo e, com medo e desconfiança, perceber os ventos empurrarem as nuvens escuras, com ímpeto desgovernado, em direção ao sol, fazendo-o fugir do céu e, de repente, o dia escurecer.
O tufão impetuoso e contínuo, a chacoalhar as árvores de um lado para o outro, que procuravam agarrar-se desesperadamente ao solo, para não serem arrancadas violentamente de suas moradias, que é o chão!
As nuvens escuras sacudidas de uma extremidade a outra, feito um bobo pêndulo de relógio ao bel-prazer do vendaval.  Aquele vento muito forte e tempestuoso provocou uma luta descomunal a ponto de bradarem trovejadamente, retumbando num ribombeio ensurdecedor.
A luta foi tamanha que de repente, pudemos, com esses olhos que a terra haverá de comer, observar até mesmo as armas utilizadas naquela luta desumana e desigual.
Eram lanças refulgentes, que eram jogadas com o intuito de rasgar o bucho do céu. Esses relâmpagos com suas descargas de eletricidade atmosférica abriram as comportas do espaço limitado pelo horizonte, fazendo chover copiosamente sobre a terra.
A água que caía, fazia subir aquele cheiro gostoso de terra, que só sentimos quando chove.
Naquele instante precipitava sobre mim, uma tristeza e uma saudade incontida, não sei lá de que!
Isto é comum em dias de chuva! Então, escavaco minha mente procurando lembrar-me do ilembrável!
  Como minha recordação continuava confusa, com o esfregão da mente, jogo para fora o apontamento da lembrança sem vestígio algum, pois, nada foi retido nas idéias adquiridas anteriormente...
Ah! Sim, lembro-me perfeitamente do acontecimento inusitado ocorrido com mamãe, ontem depois do almoço.
Isto só poderia ter acontecido com ela mesma! Seria impossível acontecer com outra pessoa. Eu aposto!?...
Veja só quem vem chegando, com seu jeito maroto e brejeiro. Como sempre despreocupado, mas boa praça.
Quando o vejo, começo a rir, só de imaginar a gargalhada que Salta Caminho dará, ao tomar conhecimento da última novidade, acontecida com Dona Encrenca, que é como papai comumente se refere à minha mãe!
Salta Caminho chega logo comentando que, por causa da chuva repentina, ele foi obrigado a almoçar na casa da madrinha, Dona Benta, esposa de Seu Dilermando, que tem uma dúzia mais quatro, de filhos.
Dezesseis filhos! São muitas bocas para dar de comer, sem contar que de vez em quando, Salta Caminho que é seu afilhado, sem prévio aviso, obriga Dona Benta acrescentar água no feijão, pois, termina comendo por lá.
Foi exatamente o que aconteceu hoje.
-       Eu posso contar o que aconteceu? Retruca Salta Caminho.
-       Pode! Desde que eu conte o ocorrido com mamãe, ontem quando ela veio do trabalho para almoçar. Falei de modo imperativo!
-       Pois é, (disse Salta Caminho), mamãe pediu que eu levasse para sua comadre Dona Benta um bolo de mandioca, o danado cheirava tanto que minha venta se ascendeu. Desde lá de casa até o rancho de madrinha, minha boca ficou cheia d’água, a ponto de me sufocar, quase provocando uma tragédia... Meu afogamento.
Quando lá cheguei, logo fui gritando: Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!...
Zeferino, o filho mais alvoroçado, então respondeu: - Para sempre seja louvado!
-       Entra menino de Deus, chegou na hora boa. Vamos matar quem está nos matando?
-       Quero não seu Dilermando, vim só trazer esse bolo, mamãe está me esperando.


Foi justo aí que o dia pretejou, e uma rajada forte de vento sibilante correu pela casa, e, sem ter nem pra que, começou a chover forte!
Assim, fui obrigado a ficar para o almoço. A comida já estava posta na mesa. Ou melhor, já estavam distribuídas nos dezoito pratos. Não havia sobrado nadica de nada nas panelas, tudo já estava equitativa e parcimoniosamente distribuído!
Madrinha, mais que ligeira, colocou na mesa outro prato e, imediatamente retirou um pouquinho de cada prato. Assim o milagre da multiplicação estava completado!
-       Olha, Salta Caminho, é pouco, mas é de coração e com muito amor. - Disse Dona Benta.
Ao que retruquei: Dá-me com pouco amor, mas com muita comida! Ora essa!...
Todos me olharam espantados. Então eu disse: É brincadeirinha! E sorrimos juntos.
- Imediatamente interrompi meu amiguinho passando a contar o que houvera acontecido dia anterior com minha mãe.
Como você sabe, mamãe e papai estão roçando a terra de Seu Quincas, que teve um mal súbito, um tal de passamento passageiro!
Por conta do tal treco, o pessoal planejou um mutirão, por isso mamãe vem pra casa antes de papai. Prepara o almoço e, geralmente volta para o mutirão antes de papai chegar.
Para não perder muito tempo, ela faz o percurso utilizando sempre da “sopa” que faz a linha para essas bandas.
Pois bem, ontem, quando mamãe chegou, preparou o almoço, quando a comida estava esquentando, ela aproveitou para tomar banho.
Almoçou apressadamente, como diz o pessoal daqui, ela rodeou a mesa e partiu!
Por estar na hora da lotação passar, ela foi até o ponto. O ônibus logo chegou, então quando mamãe foi passar na borboleta sentiu que um homem mal-encarado se aproximou e, de forma desajeitada bateu no seu braço.
Só então mamãe percebeu que não estava mais com o seu relógio de pulso. O danado do homem o roubara. - Que ladrão safado! - Retrucou consigo mesma.
Sem dizer nada, ela foi decidida a recuperar o roubo. Senta no assento ao lado do salafrário.
Trêmula, desajeitada, mas, decidida, abre uma sacola onde carregava alguns pertences de mulher, pega uma escova de pentear cabelo, encosta o cabo da escova, na barriga do homem mal encarado, aquele salafrário que momentos antes lhe roubara o relógio e, em tom decidido, com a sacola ainda aberta, diz ao meliante: - Ponha aqui, rapidamente o relógio!
- O homem ante a surpresa e assustado, tira o relógio de seu braço, sem dizer uma única palavra, e em face à pressão do objeto contundente, de forma ligeira e dissimulada coloca o relógio na sacola.
Mui rápida foi a reação de mamãe. Pede parada ao ônibus!
O motorista encosta o veículo. Chorando mamãe desce do coletivo e volta desconsolada para casa.
Ao chegar à nossa casa ela conta o ocorrido, para papai, que já havia chegado, pedindo dele as devidas providências.
Nesse instante surge, não mais que de repente, Célio Pneu, meu irmão menor, que saíra do banheiro gritando: - Mamãe!... Mamãe!... A Senhora deixou no banquinho do banheiro... O seu relógio!?...
- Entregando-a o cobiçado objeto!

domingo, 19 de agosto de 2012

Janela da Solidariedade - ANGÚSTIA

ANGÚSTIA - Élcita de Souza Cintra (Extraído do livro MOMENTOS                                                                                          de Gláucia Lima e Silva)

 

Ah! esse poema foi feito com a tinta

do meu sangue...

Ah! Se soubesses a solidão em que vivo...

A saudade que me mata...

Uma tristeza infinda...

 

Vês? O amor é tudo

e eu te procuro ainda...

Bati de porta em porta

na ânsia incontida

de te encontrar mais belo, mais lindo...

O amor é tudo, e eu te procuro ainda...

 

Gargalhei como um palhaço

para esconder minha desgraça...

 

Fui caminheiro pela estrada da vida...

 

Fui nauta e enfrentei a fúria do mar...

Fui jogado aos abrolhos...

Levando um coração despedaçado,

E um turbilhão de lágrimas nos olhos...

 

Vês? O amor é tudo,

e eu te procuro ainda...

 

Meu corpo foi triturado como grão de trigo,

porém meu coração ainda está vivo...

Um grito de angústia e desespero me sufoca...

Eu grito, eu choro,

trago comigo uma saudade infinda...

E um turbilhão de lágrimas nos olhos...

 

Vês? O amor é tudo,

e eu te procuro ainda!